Arie Halpern: Como uma pílula digital pode ajudar os cofres e a saúde pública nos EUA

Arie Halpern: Como uma pílula digital pode ajudar os cofres e a saúde pública nos EUA

Os Estados Unidos aprovaram pela primeira vez uma pílula digital. Trata-se de um medicamento rastreável, com um sensor acoplado, que informa quando e se o remédio foi tomado pelo paciente. “Como qualquer tecnologia que permite o monitoramento de atividades cotidianas e pessoais, a pílula digital abre a discussão sobre privacidade dos pacientes e a pressão envolvida na hora de tomar os remédios”, diz Arie Halpern. De que maneira a pílula digital pode ajudar os cofres e a saúde pública nos Estados Unidos ainda é uma incógnita.

Anunciada na última semana, a aprovação marca um avanço significativo na inserção de dispositivos digitais para o monitoramento de ingestão de medicamentos, um problema de saúde e de finanças para a nação norte-americana.

Especialistas estimam que a recusa a medicamentos custa cerca de US$ 100 bilhões por ano aos cofres públicos.Quando não tomam a devida medicação prescrita, os pacientes tendem a ficar mais doentes e precisam de tratamentos mais caros ou de internação.

Os pacientes que concordarem em tomar a medicação digital, uma versão do antipsicótico Abilify, devem assinar um formulário de consentimento, permitindo que seus médicos e até quatro pessoas, incluindo membros de família, recebam dados eletrônicos mostrando a data e a hora que a pílula foi ingerida.

Embora seja uma ferramenta correta do ponto de vista ético para pacientes que queiram ter certo controle de seus hábitos saudáveis, a pílula digital tem um potencial coercitivo.

Outras empresas estão desenvolvendo novas tecnologias a fim de acompanhar a medicação de pacientes à distância. Há outro remédio rastreável e também uma tecnologia de reconhecimento visual capaz de confirmar se um paciente colocou a pílula na língua e a engoliu. Nem todas necessitam de autorização, alguns já estão inclusive sendo usados ou testados em pacientes com problemas cardíacos, HIV e diabetes.

Como essas ferramentas digitais exigem esforços específicos, como usar um aplicativo ou um dispositivo, serão bem vindas por pessoas mais velhas ou pacientes com doenças que precisam de tratamento monitorado diretamente.

Muitos especialistas veem o Abilify como uma escolha perigosa para ser o primeiro medicamento digital dos Estados Unidos, por ser prescrito para pacientes com esquizofrenia, transtorno bipolar e depressão. Pessoas com estas doenças têm geralmente em comum a dificuldade em aceitar medicações. Por outro lado, o método pode atrair pacientes que desejem provar sua melhora, criar confiança com seu psiquiatra.


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