Arie Halpern dá 5 dicas para abrir um negócio disruptivo de sucesso

Quais os pilares que sustentam um projeto inovador? Os dois principais são o valor percebido pelo consumidor e o retorno do investimento, opina Arie Halpern, empreendedor com foco em projetos de tecnologias disruptivas. Em outros termos, uma ideia genial não necessariamente é acolhida pelo público e, se não for viável economicamente, pode quebrar o investidor. Para ele, o segredo do sucesso está em fazer as perguntas certas antes de se deixar levar pelo entusiasmo. Nesta entrevista, Arie Halpern detalha essas questões.

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Arie Halpern é empreendedor e tem, como foco, projetos de tecnologias disruptivas

Localização – Na fase de pesquisa de mercado, uma questão importante a levantar é se a região de distribuição do produto ou serviço será receptiva ou hostil à inovação. “O que está sendo criado fará alguma diferença para esse público, ou seja, esse público tem potencial para garantir retorno do meu investimento?”, indaga Arie Halpern.

Conheça o seu público – É imprescindível, destaca o empreendedor, mensurar a possibilidade de a inovação ser adotada pelo público de interesse.  E, para tanto, a Curva de Adoção da Tecnologia, introduzida pelo professor e escritor norte-americano Everett Rogers em seu livro “Diffusion of Innovations”, deve ser considerada. Importante especialmente para aqueles que lançam inovações no mercado, a curva classifica as pessoas em cinco categorias quanto à adoção de novas tecnologias: Inovadores (Innovators), Adotadores iniciais (early-adopters), Maioria inicial (Early majority), Maioria tardia (Later majority) e Retardatários (Laggards). Essa curva é fundamental, pois detalha os diferentes perfis do público, tornando mais fácil estimar o tempo em que o investimento apresentará retorno, afirma Arie Halpern.

Estágios do negócio – O celular é um ótimo exemplo de tecnologia disruptiva que passou por esses estágios de adoção. Quando foi lançado, se apresentava como um tijolo e era extremamente inconveniente. “Embora boa parte das pessoas não se incomodasse com os desafios de uso, a curva de adoção ao aparelho foi lenta”, recorda Arie Halpern. Hoje, isso mudou. A evolução dos smartphones tornou o uso do aparelho mais fácil, prático e barato.  Atualmente, é raro encontrar alguém que não tenha um aparelho celular, afirma Arie Halpern.

Custo-benefício para o cliente – Nem sempre é importante direcionar a inovação para um público específico, pois, ainda que exista um público alvo, as percepções podem ser variadas, como vimos na Curva de Adoção da Tecnologia. Um exemplo é a Tonisity, empresa irlandesa pioneira no mercado de suplementos nutricionais de saúde suína. O lançamento do suplemento PX exigiu um estudo de mercado com um grupo de veterinários e outro de fazendeiros, usuários que potencialmente teriam mais influência sobre o sucesso do produto. Apesar de se ter esse conhecimento, cada um dos clientes tem um objetivo específico a conquistar a partir da inovação. Por isso, um dos principais pilares de uma inovação é o valor percebido, que nada mais é do que a percepção do cliente de custo-benefício de um produto, serviço ou organização. No caso do PX, seus atributos farão com que o produto englobe diferentes objetivos, já que o mesmo é capaz de melhorar a hidratação dos porcos, reduzir a taxa de mortalidade dos suínos, entre outros.  “A linha é tênue, mas é importante apresentar um conjunto de atributos na inovação”, destaca Arie Halpern.

Em testes nos Estados Unidos, o suplemento alimentar PX foi dado aos leitões que seriam descartados. A inovação recuperou 75% dos leitões

Retorno financeiro – Desde o começo do negócio é importante criar estratégias para que haja uma garantia de retorno financeiro. Todos os questionamentos anteriores direcionarão para que isso esteja claro. Se a minha mensagem é forte, se eu consigo realizá-la com eficiência e se ela não pode ser copiada com facilidade, o caminho até a execução foi percorrido em segurança. E, para manter a trilha de sucesso para a inovação, é preciso estipular um retorno financeiro para garantir a contínua eficiência da inovação. Afinal, apesar de nem todas as coisas inovadoras representarem vantagem econômica, o retorno de investimento se caracterizará como outro pilar fundamental para comprovar o sucesso de uma inovação, observa Arie Halpern.


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