5G, só que não

A disputa pelo pioneirismo na conexão 5G teve clima de final olímpica nos últimos dias. Com uma hora (ou 55 minutos, segundo a Reuters) de diferença, Coreia do Sul e EUA passaram a oferecer o serviço. Ambos com limitações, vale ressaltar.

Às 11h da manhã (horário de Brasília) da última quarta-feira, dia 3, as operadoras coreanas SK Telecom, KT Corp. e LG Uplus ativaram seus serviços. Originalmente previsto para a sexta, dia 5, o lançamento foi antecipado em dois dias devido a rumores de que a americana Verizon faria o mesmo. A ativação do serviço da operadora americana estava programada para uma semana depois, dia 11 de abril. Mas por volta do meio-dia da mesma quarta, foi a vez da Verizon divulgar o funcionamento do serviço 5G.

Para mais de 99% dos cidadãos sul-coreanos e americanos, no entanto, nada mudou. Afinal, na Coréia, apenas meia dúzia de celebridades podem usar o 5G – entre elas integrantes da banda pop EXO e a ex-patinadora e campeã olímpica Kim Yuna. E o  primeiro smartphone com a tecnologia, o Galaxy S10 5G da Samsung, só chega ao mercado nesta semana.

A Coreia, que prevê oferecer o serviço em 85 cidades até o fim do ano, tem a vantagem de contar com três operadoras atuando conjuntamente e também já possui uma rede de cobertura nacional.

Nos Estados Unidos, a tecnologia funciona apenas em alguns locais de Chicago e Minneapolis. Nessas áreas, o serviço 5G da Verizon pode ser acessado pelo telefones Moto Z3, porém, necessitam de um acessório, o Moto Mod 5G. Já a concorrente, AT&T, alegou ter sido a primeira, ao lançar, em dezembro, o serviço em 12 cidades do país. A rede, no entanto, só pode ser acessada por um ponto de acesso sem fio (mobile hotspot).

Mercado bilionário

Criticada por especialistas do setor, a corrida pelo primeiro lugar, além do “orgulho nacional” pelo pioneirismo, mira um mercado bilionário. O 5G deve movimentar globalmente US$ 565 bilhões nos próximos 15 anos, segundo a Global System for Mobile Communications Association.

A velocidade, 20 vezes maior do que o 4G, estimulará uma onda de inovação por meio da internet das coisas. A conexão 5G possibilitará avanços que vão de carros autônomos e realidade aumentada a inteligência artificial e smart cities. Também deve provocar um novo salto nos serviços de streaming, já que, por exemplo, permite baixar um filme em poucos segundos. Precisamente, 3,6 segundos para um filme de duas horas, conforme a Consumer Technology Association.

Na disputa também estão operadoras chinesas, que vêm investido pesado na tecnologia, e as japonesas, que preveem ter sua rede 5G funcionando nos Jogos Olímpicos de 2020. No Brasil, o edital para exploração do 5G deve entrar em consulta pública no segundo semestre do ano. A previsão é que o leilão das frequências ocorra em março do ano que vem.

As próximas contendas devem se dar em torno das patentes. Novamente polarizadas entre ocidente e oriente. As empresas chinesas possuem 3.400 patentes, sendo 1.529 da Huawei. A Coreia do Sul tem 2.051 e os Estados Unidos, 1.368.

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