A evolução no diagnóstico e tratamento do câncer de próstata

Um dos principais motivos para o agravamento de casos de câncer de próstata é a não realização de exames de prevenção. A doença de caráter genético costuma aparecer com a idade, em geral, a partir dos 65 anos. Isso por ser o que se define como silenciosa, ou seja, cujos sintomas não costumam aparecer em suas fases iniciais. Exatamente a fase em que é grande a chance de cura, inclusive porque os tratamentos  vêm evoluindo muito.

Um em cada oito homens tem câncer de próstata em algum momento da vida. É o segundo tipo de câncer, depois do câncer de pele não-melanoma, a acometer os homens no Brasil. Por isso, campanhas como a do Novembro Azul, que visam conscientizar as pessoas sobre a importância e a necessidade de fazer exames de avaliação e detecção periodicamente.

Na área de diagnóstico, há vários tipos de testes bioquímicos, moleculares e exames de avaliação genética, capazes de detectar a doença ou mesmo a predisposição a ela. No fim do ano passado, um grupo de cientistas, com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), desenvolveu uma nova tecnologia para diagnóstico de câncer de próstata por meio da análise de sangue.

O exame identifica células tumorais por meio de marcadores específicos da próstata extraídos do RNA mensageiro, a molécula responsável pela síntese de proteínas das células do corpo. Além de mais eficaz, o método detecta o câncer no estágio inicial, aumentando a chance de cura.

Radiação de alta precisão

No que diz respeito ao tratamento, após detectada a doença, a tecnologia também fez grandes avanços. Um deles é o uso da terapia de radiação modulada por intensidade, conhecida pela sigla IMRT (do inglês Intensity-modulated radiation Therapy).  A radioterapia impede que as células cancerosas se dividam e se multipliquem, interrompendo o crescimento do tumor e, em muitos casos, matando todas as células e eliminando o tumor.

O tratamento de radioterapia de alta precisão usa aceleradores lineares controlados por computador, fornecendo doses precisas de radiação. Com a intensidade do feixe controlada e aplicada em pequenas quantidades, doses de radiação mais altas são direcionadas ao tumor enquanto o tecido em torno dele recebe volumes mais baixos. Entre os sistemas mais avançados no uso de radioterapia de precisão com aceleradores lineares capazes de fazer o tratamento personalizado, estão o Gamma Knife e Cyberknife.

Além de preservar as áreas saudáveis ao redor do tumor, a radioterapia de alta precisão reduz o período de tratamento de semanas para dias. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), este ano devemos chegar a 65 mil casos da doença no País. “Com a evolução das tecnologias, tanto no diagnóstico quanto no tratamento, e o aumento de cura em casos de detecção precoce, é surpreendente que muitos homens ainda resistam a se submeter a exames periódicos de prevenção. Isso tem de mudar”, diz Arie Halpern.