A polêmica sobre a implantação de chips em pessoas, segundo Arie Halpern

A polêmica sobre a implantação de chips em pessoas, segundo Arie Halpern

A ideia de ter um microchip instalado sob nossa pele é um tanto distópica, mas há empresas dispostas a investir no seu desenvolvimento. Há alguns dias, a norte-americana Three Square Market (32M) revelou sua intenção de ser a primeira empresa dos Estados Unidos a implantar chips em seus funcionários. A adesão dos empregados ao sistema é voluntária, garantem os seus dirigentes. Eles contam com ao menos 50 pessoas dispostas a serem chipadas. Em defesa do sistema, a empresa alega que ele permite fazer operações antes realizadas por meio de cartões ou chaves. “Há muitos questionamentos sobre a necessidade e a conveniência da implantação de chips em pessoas”, segundo Arie Halpern, economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologias disruptivas. “Existem questões éticas envolvidas e riscos à privacidade.”

Uma vez chipados, os funcionários poderão “fazer compras no minimercado, abrir portas, logar-se em seus computadores, usar as máquinas de cópia, desbloquear smartphones, compartilhar cartões profissionais, armazar informações médicas etc.”, comenta o CEO da 32M, Todd Westby. “Eventualmente, essa tecnologia se tornará padronizada, permitindo que você a use como seu passaporte, no transporte público, em todas as oportunidades de compra”.

A tecnologia chamada de RFID (ou, do português, identificação por radiofrequência) usa campos eletromagnéticos para identificar informações armazenadas eletronicamente. Do tamanho de um grão de arroz, o microchip é instalado na pele entre o polegar e o indicador.

“Vemos a tecnologia de chips como a próxima evolução nos sistemas de pagamento. Como líder em tecnologia de micromercados, é importante que a 32M continue a liderar o nicho com esse tipo de avanço”, acrescenta Westby.

A tecnologia em si não é nova – há um bom tempo esses chips são usados em coleiras para animais de estimação e em empresas de entregas. E também não é novidade entre empresas e seus funcionários. A empresa sueca Epicenter começou a implantar chips em seus funcionários em 2015 – hoje já são mais de 150 empregados que aderiram à oferta. A belga Newfusion também aderiu ao sistema. O mesmo fizeram organizações na República Tcheca. Nos Estados Unidos, porém, a iniciativa da 32M é pioneira.

O uso da tecnologia animou a discussão discussão sobre segurança e privacidade. Embora a implantação não traga nenhum risco físico, os chips podem oferecer às empresas informações sobre a rotina dos funcionários. E, ao contrário dos cartões inteligentes ou dos smartphones, que podem gerar dados semelhantes, as pessoas não podem se separar dos chips com a facilidade. “Quanto maior a facilidade para captar e armazenar informações sobre a vida das pessoas, maiores são os riscos de uso da tecnologia”, diz Halpern.


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