A revolução do rádio

O rádio foi, sem dúvida, uma inovação disruptiva. O teórico canadense Marshall McLuhan já alertava para isso: “a cultura letrada incentivou um individualismo extremo e o rádio atuou num sentido exatamente inverso; ao fazer reviver a experiência ancestral do profundo envolvimento tribal, o Ocidente letrado procurou uma espécie de compromisso com a responsabilidade coletiva, em sentido amplo” – diz ele no livro “Os meios de comunicação como extensões do homem”. Por isso, o dia do radialista é uma oportunidade para se discutir o impacto e a amplitude das inovações tecnológicas.

O termo “disruptiva”, que vem de ruptura, caracteriza tecnologias que transformam o mercado e a sociedade, modificam hábitos e desestabilizam concorrentes. O termo foi criado pelo professor de Harvard Clayton M. Christensen, e apresentado no artigo “Disruptive Technologies: Catching the Wave”. Esse é exatamente o fenômeno que pode ser observado a partir da introdução do rádio no cotidiano das pessoas.

A tecnologia do rádio foi utilizada inicialmente para fins estratégicos, como o controle do tráfego nos portos e a comunicação durante a Primeira Guerra Mundial. A Westinghouse Electric fabricava os rádios utilizados pelos militares norte-americanos durante o conflito. Após a guerra, um dos engenheiros da companhia – Frank Conrad, um entusiasta da radiodifusão – começou a transmitir notícias e músicas de forma experimental. Foi um sucesso entre o público, formado principalmente por ex-combatentes que mantiveram seus equipamentos. A empresa, que contava com uma grande quantidade de equipamentos “encalhados” em 1919 e viu a oportunidade de comercializá-los. Em 1920, criou a primeira emissora comercial daquele País: a KDK-A.

Antes do rádio, a principal maneira de obter informações era a mídia impressa. Jornais e revistas podiam ser lidos no café da manhã, no trajeto para o trabalho, no descanso após o almoço. O leitor escolhia o horário que lhe parecesse mais cômodo. Com a chegada do rádio, a rotina de milhares de pessoas mudou: havia hora marcada para ouvir as notícias, as músicas do momento, os ruídos de diferentes lugares do mundo. As pessoas se reuniam em torno do rádio – ao contrário do que acontecia com a leitura, que é uma atividade individual, destaca McLuhan. Até mesmo o entretenimento sofreu os impactos do novo meio, multiplicando-se em bailes populares, embalados com os sucessos do rádio.

Uma tecnologia disruptiva muda a vida de milhares de pessoas, reorganiza processos e transforma o mercado. Os jornais e revistas precisaram se reinventar a partir dos anos de 1920. Em 1922, já havia 300 emissoras em operação nos Estados Unidos. A radiotransmissão reinou no campo das comunicações até meados os anos 1950, quando outra inovação tecnológica revolucionou a sociedade ao mostrar imagens do mundo em tempo real: a TV. O rádio, porém, continua se reinventando e muitos profissionais desse meio foram pioneiros na criação de podcasts e na popularização do streamming.

Os dois dias do radialista

No Brasil, há uma confusão em torno da data “certa” para se comemorar o dia do radialista. A data oficial costumava ser em 21 de setembro, por conta de conquistas trabalhistas obtidas por essa categoria profissional no ano de 1943. Em 2006, todavia, a data foi transferida para 7 de novembro, em decorrência a uma homenagem ao músico e radialista Ary Barroso. Como a mudança é recente e ainda não foi assimilada pela cultura popular, há diversas comemorações nas duas datas.


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