A revolução na saúde será impressa em 3D

Você certamente já leu alguma matéria sobre uma impressora 3D capaz de manufaturar os objetos mais complexos possíveis. Certamente também se lembra que essas máquinas são muito diferentes daquela sua impressora de casa que sempre acusa a falta de tinta. Mas o que você provavelmente não sabe, é que a primeira impressão em 3D surgiu muito antes de você ter sua primeira impressora pessoal.

Em 1981, Hideo Kodama, do Instituto de Pesquisa Industrial Municipal de Nagoya, no Japão, publicou um artigo após criar um sistema funcional de prototipagem rápida usando fotopolímeros. Deste sistema, foi construído um objeto sólido em camadas, cada uma correspondendo a uma fatia transversal no modelo. Soa familiar?

Três anos depois, o norte-americano Charles Hull – considerado este o pai da impressão em 3D – inventou a estereolitografia, um método de impressão que utiliza um material acrílico que se solidifica prontamente após o contato com um feixe de laser UV. A técnica permite que os designers criem modelos 3D com o auxílio dados digitais, construindo qualquer objeto de maneira rápida e com a precisão de um computador.

Da década de 80 para cá, esses conceitos foram muito estudados para ampliar a capacidade de impressão das máquinas para diversas áreas, sendo mais comumente explorado pela medicina.

A brasileira Csanmek, empresa especializada em sistemas e soluções para o nicho educacional, desenvolveu uma plataforma em que os estudantes universitários aprendem e observam o funcionamento do corpo humano através de simulação 3D.

Essa plataforma já chegou ao México e acumula pedidos para universidades dos Estados Unidos. Só pelo exterior, o simulador já rendeu R$ 2 milhões em negócios para a start up. No Brasil, entre os 250 cursos de formação médica, 20 instituições utilizam a tecnologia. O custo do programa pode variar entre R$ 200 mil e R$ 400 mil.

Muitos médicos estão contando com a impressão 3D para atender diversos pacientes com as mais variadas enfermidades. Imitar a pele, ossos e até mesmo órgãos já é possível graças aos avanços e testes já feitos.

Uma equipe de pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça  criou um coração artificial que funciona como se fosse natural. O modelo, testado com sucesso em laboratório, conseguiu bombear perfeitamente o sangue e foi considerado como plenamente funcional, apesar de ainda não testado em humanos. O trabalho sobre a criação do órgão foi publicado na revista Artificial Organs.

Também para a saúde animal há exemplos muito interessantes de criação a partir de impressoras. As próteses para animais são um dos usos mais popularizados de impressão em 3D. Essa tecnologia possibilita que os animais tenham uma segunda chance, principalmente as espécies selvagens, que provavelmente não sobreviveriam na natureza sem essas próteses.

Na Tailândia, veterinários e especialistas criaram uma prótese para um elefante que perdeu a perna dianteira direita ao pisar em uma mina terrestre. A principal dificuldade enfrentada pelos cientistas foi o peso do animal – quase uma tonelada e meia – o que tornou necessária a troca da prótese todo ano.

É importante lembrar que impressões 3D como essas não são tão caras quanto parecem, por isso muita gente está investindo nessa área. A brasileira Animal Avengers, sediada em São Paulo, desenvolve próteses 3D para animais de forma voluntária. Entres os seus feitos estão a construção da primeira prótese de bico de arara feita de titânio e a primeira casca de tartaruga totalmente em 3D.

Veja também: http://www.ariehalpern.com.br/impressora-3d-usa-bacterias-vivas-como-tinta/


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