Aceleradores de partículas podem dar um salto disruptivo

Após testes realizados no Laboratório Nacional Brookhaven, nos Estados Unidos, a equipe de cientistas que está desenvolvendo um novo modelo de imãs para acelerador de partículas atingiu resultados positivos no uso de nióbio-estanho (Nb3Sn) nos componentes supercondutores, como eletroímãs.

Espera-se que o aprendizado acumulado nesse projeto tenha impacto no desenvolvimento do colisor de elétrons-íons, um tipo de acelerador de partículas que pode aprofundar os estudos sobre a força eletromagnética entre o núcleo dos átomos e os elétrons que o orbitam. O tema é relevante para tecnologias do nosso dia a dia (computadores, smartphones etc.) e para geração, transmissão e distribuição de energia elétrica.

O primeiro teste crítico de resistência, realizado com o apoio da equipe da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), foi bem-sucedido e indica que há viabilidade para o emprego do nióbio estanho, em substituição ao nióbio-titânio, mais resistente, porém, menos condutivo.

“Esse tipo de cooperação internacional para o desenvolvimento de grandes projetos tem o potencial de alavancar as chances de resultados disruptivos, saltos de evolução”, diz Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.

Partícula de Deus

Os cientistas estão trabalhando para fazer um upgrade no Grande Colisor de Hádrons (LHC), maior acelerador de partículas do mundo que entrou para a história quando identificou, há dez anos, o bóson de Higgs. Segundo os físicos, essa partícula é a fonte de massa para todas as partículas elementares (prótons, nêutrons e elétrons) e foi apelidada de partícula de Deus.

Caso os planos atuais sejam bem-sucedidos, os novos componentes do LHC vão proporcionar um aumento de dez vezes na luminosidade integrada e no número de número de colisões de prótons direcionadas pelo equipamento, o que permitirá que os físicos estudem partículas como o bóson de Higgs com mais detalhes.

Desse processo, avaliam os cientistas (especialmente os físicos), será possível compreender melhor as características de todo tipo de matéria. De certo modo, os avanços obtidos com essas experiências e com as imagens que o telescópio James Webb poderão contribuir também para uma melhor compreensão das origens do universo.