Adaptabilidade das espécies não dispensa mudança de hábitos

A notícia de que um milhão de espécies está sob ameaça de extinção devido ao impacto humano causou apreensão no mundo todo. O relatório divulgado pela ONU, acrescenta que o processo de devastação do meio ambiente vem se acelerando continuamente.

Os dados foram compilados e avaliados por meio da plataforma intergovernamental de políticas científicas sobre biodiversidade e serviços ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês). O trabalho compila estudos de 145 cientistas em 50 países, incluindo o Brasil, além de contribuições de outros 300 autores.

Os principais fatores, aponta o relatório, são as mudanças no uso da terra e dos oceanos, a exploração de organismos, as mudanças climáticas e a poluição. As emissões de gases de efeito estufa, por exemplo, dobraram nas últimas três décadas, elevando as temperaturas em 0,7°C.

No mesmo dia, no entanto, outro estudo científico trouxe o alento de que a própria natureza talvez possa nos ajudar a evitar um futuro sombrio. Cientistas da Universidade de Southampton sinalizaram que a capacidade de adaptação pode livrar algumas espécies da extinção. Intitulado “Adaptação genética às mudanças climáticas”, ele conclui que o risco de extinção de espécies pode estar superestimado por não considerar a adaptabilidade dos animais.

Os cientistas estudaram o DNA de morcegos nativos do Mediterrâneo, região particularmente afetada pelo aquecimento global. Eles identificaram as partes do genoma associadas às condições climáticas. E, ao analisá-las, perceberam que havia dois grupos: os mais adaptados ao clima quente e seco e os mais adaptados ao frio e umidade.

“As previsões sobre a sobrevivência dos morcegos se baseiam na redução de seu habitat por causa do aquecimento global. A premissa é que toda a espécie reage da mesma forma à mudança. Nós possibilitamos uma nova abordagem, considerando a capacidade de adaptação a diferentes condições climáticas”, afirma o professor Orly Razgour, líder da pesquisa, no relatório publicado.

A possível diminuição do número de espécies em risco de extinção decorrente da adaptabilidade das espécies, no entanto, não nos exime da necessidade de promover uma mudança significativa em nossos hábitos e na forma como interagimos com a natureza.

Tecnologias a serviço do planeta

Outra frente de batalha fundamental para um futuro sustentável é o avanço tecnológico. Tecnologias limpas para a geração de energia, a partir de fontes renováveis, podem reduzir significativamente as emissões de gases de efeitos estufa. Um relatório da International Renewable Energy Agency (IRENA) destaca que a energia renovável já representa 1/3 da potência instalada global – a fonte solar fotovoltaica é a principal impulsionadora desse crescimento.

Além dos óbvios benefícios climáticos, a geração de energia de forma distribuída causa menos impacto nos habitats locais e contribui para a preservação da biodiversidade. A tendência é mundial. Envolve o barateamento dos equipamentos devido às inovações tecnológicas e também o empoderamento dos consumidores, que estão cada vez mais propensos a investir na autogeração de energia. Cabe aos governos e às empresas a tarefa de estimular e viabilizar a transição energética do planeta para uma matriz mais limpa.