Agência O Globo veicula artigo de Arie Halpern que aborda papel das Edtechs no rumo da educação

Elas são mais do que simplesmente escolas, são pequenos laboratórios de pesquisa e desenvolvimento, onde professores e profissionais se propõem a desenvolver o rumo da educação do século 21″, diz Arie Halpern, que é economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologias disruptivas.

Depois das Fintechs – startups que oferecem inovação em serviços financeiros –, vemos agora o surgimento das Edtechs. Como o termo sugere, Edtechs são empresas focadas em desenvolvimento tecnológico na área da educação. É uma tendência bem-vinda, porque, diferentemente de outros segmentos de negócios, a educação resiste a renovações, muito embora as novas tecnologias peçam passagem há anos. Uma série de possibilidades torna atrativo esse nicho. Enquanto são criadas dezenas de aplicativos voltados para escolas e alunos, o conceito de educação personalizada vem numa onda crescente. As AltSchools encontram-se na intersecção desses dois movimentos. O modelo de ensino dispensa carteiras, salas de diretoria e coordenação e até o tradicional sistema de notas. No lugar disso, sobressai a presença da tecnologia – tudo em nome da aprendizagem personalizada. “Elas são mais do que simplesmente escolas, são pequenos laboratórios de pesquisa e desenvolvimento, onde professores e profissionais se propõem a desenvolver o rumo da educação do século 21”, diz Arie Halpern, que é economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologias disruptivas.

O projeto AltSchool é audacioso porque quer se expandir para todo o mundo e ser adotado tanto por escolas públicas como por particulares. Não é um desafio pequeno considerando-se ser um empreendimento capitalista como qualquer outro, com expectativa de lucros e de expansão acelerada. Dentro dos padrões do Vale do Silício, elas já são um modelo de sucesso, mas o mundo da educação está distante desses padrões do mundo da tecnologia. Além de essas escolas serem caras (uma mensalidade pode chegar até US $ 30 mil por ano, ou R$ 7.800 por mês), a forte presença da cultura digital na região contribui para uma maior assimilação dos valores empregados por esse novo sistema de ensino.

O portal Wired questionou Max Ventilla, ex-executivo do Google que está à frente do projeto, sobre essa limitação de público e espaço. “Se fôssemos impactar apenas estudantes ricos de colégios particulares, não acredito que estaríamos fazendo isso. Mas creio que este é o lugar certo para começarmos”, disse ele. A primeira AltSchool foi aberta em 2013. Hoje tem oito unidades espalhadas por San Francisco, Palo Alto e Nova York. Há entre 35 e 120 alunos em cada uma. Chicago deve ser a próxima cidade a receber uma unidade da escola.

As AltSchools levantam a questão sobre a possibilidade, no futuro, de os professores serem substituídos pela tecnologia. Para Mohanannad El-Khairy, investidor e conselheiro das AltSchools, o professor é insubstituível. Em entrevista ao portal Nexo, ele afirma haver uma troca justa de aprendizado. Enquanto eles auxiliam no desenvolvimento de ferramentas para uma educação cada vez mais personalizada, estas ferramentas aperfeiçoam o trabalho destes profissionais. Para Arie Halpern, “a experiência vai dizer como se dará a divisão do trabalho entre máquinas e professores, mas já se pode antecipar que, com as tecnologias disponíveis atualmente, a educação pode passar por uma revolução”, diz Halpern.

Artigo publicado originalmente na Agência O Globo, no dia 27 de junho de 2017.


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