Agritechs ganham força e aumentam produtividade no campo

Os produtores de grãos dos EUA ganharam uma nova opção para escoar sua produção. É uma espécie de Uber do agronegócio. Desenvolvido pela startup Indigo Ag., o sistema conecta produtores, compradores e transportadores. As transações de compra e venda fechadas pela plataforma de marketplace da empresa podem ser acessadas pelos transportadores por meio de um app.

A empresa, criada em 2015, já é um unicórnio, com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão, e desembarcou no Brasil no ano passado. Mas ainda não oferece aqui sua solução de transporte e logística.

Começou usando a microbiologia para melhorar o metabolismo e a absorção de nutrientes pelas plantas. Criou um banco de dados com o sequenciamento de micróbios – usando algoritmos e machine learning, seleciona os mais indicados para cada situação e, assim, consegue fazer brotar espécies em condições nas quais elas naturalmente não vingariam ou adaptá-las aos efeitos das mudanças climáticas.

Em parceria com a Anheuser-Busch, a startup também está desenvolvendo uma cerveja mais sustentável. A bebida é feita com arroz cultivado com técnicas especiais, que usam 10% menos água, menos nitrogênio e emitem menos gases de efeito estufa. Em dezembro, a Indigo adquiriu uma agritech de monitoramento de plantações via satélite. Aliando as imagens à previsão do tempo e a parâmetros agrícolas, consegue prever com muita precisão a produtividade e o resultado da safra.

Big data e muita análise

O uso de big data no agronegócio já entrou no radar das grandes fabricantes de insumos. Empresas como a Bayer, Syngenta, BASF e a DowDuPont, lançaram nos EUA aplicativos de análise de dados. Informações como a qualidade do solo, volume de chuvas, rotação de culturas e uso de fertilizantes são analisadas e o assinante recebe orientações sobre sementes, época de plantio e uso de insumos para aumentar a produtividade.

“Aumentar a produção de alimentos com menos recursos é o desafio para superar a ameaça representada pelo crescimento populacional e as mudanças climáticas. As novas tecnologias e big data são a solução para produzir mais com menos”, diz Arie Halpern, empresário especializado em tecnologias disruptivas. De acordo com a FAO, para eliminar a fome no mundo até 2050 será necessário aumentar em 70% a oferta de alimentos.