Água do ar e do gelo para matar a sede da população global

A água é um dos recursos mais abundantes do planeta, cobrindo mais de 70% da superfície. No entanto, muitos especialistas alertam para um iminente problema de falta deste recurso essencial à vida. Especialmente, água potável. A previsão é que em dez anos, metade da população mundial esteja vivendo em áreas com escassez de água.

Para evitar esse verdadeiro desastre, há uma série de medidas sendo tomadas que vão de inciativas de educação e conscientização ao reaproveitamento, tecnologias para conservação e dessalinização e melhorias nos sistemas de irrigação.  

Duas alternativas que vêm ganhando terreno é a de captar a água do ar atmosférico e de aproveitar a água dos icebergsA atmosfera terrestre contém 13 bilhões de toneladas de água doce e algumas empresas, como a israelense Watergen, a neozelandesa Waterfromair e a norte-americana Rainmaker, desenvolveram equipamentos que conseguem produzir até 20.000 litros de água por dia. Com eles, é possível fornecer água potável a áreas remotas já afetadas por mudanças climáticas ou outros conflitos.

O uso da água presente no ar atmosférico dispensa a necessidade de usar sistemas de transporte de água. E mesmo a poluição do ar não representa um obstáculo. Segundo um estudo feito por cientistas da Universidade de Tel Aviv, mesmo em áreas urbanas com elevado nível de poluição atmosférica é possível extrair água potável nos padrões estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde(OMS)

Icebergs e oceanos 

Os icebergs são outra fonte de água limpa que vem sendo explorada em algumas regiões, como o Canadá. Recentemente, o governo dos Emirados Árabes Unidos, país em que há escassez de água, iniciou um projeto para aproveitar a água dos icebergs. O ousado projeto envolve o transporte de partes de icebergs. Além dos riscos de acidentes e da necessidade de serem embalados com material isolante para que não derretam no trajeto, ele suscita críticas quanto à sustentabilidade e ao elevado custo do processo.

O método mais confiável – e, talvez, viável, para o aproveitamento da água dos oceanos é a dessalinização. Em muitos países, usinas de dessalinização são a forma para fornecer água para sua população. Embora instalações mais modernas tenham baixo impacto no ambiente, as mais antigas, cujos métodos são menos avançados, causam prejuízo aos oceanos, reduzindo os níveis de oxigênio e aumentando o teor de sal.

Mesmo nas usinas mais eficientes, o processo requer grande quantidade de energia, geralmente proveniente de combustíveis fósseis altamente poluentes. Recentemente, o governo do Ceará anunciou a construção de uma usina de dessalinização para abastecer a população da capital Fortaleza e região metropolitana. 

“As mudanças climáticas e o crescimento da população mundial são alguns dos principais fatores que ameaçam a oferta de água em muitas regiões do mundo. Por isso, é cada vez mais urgente desenvolver tecnologias que possam fazer frente a esse risco, desde formas de tornar mais racional o uso e promover o reúso até a exploração de novas fontes”, diz Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.