Algoritmo alerta consumidores sobre farmácias online fora das normas

Com a pandemia do novo coronavírus, uma tendência perigosa que já estava colocada nos últimos anos se intensificou: a compra de medicamentos online em farmácias clandestinas. Trata-se de um problema gigantesco. O gasto anual com farmácias virtuais deve chegar a US$ 100 bilhões anuais, mais de meio trilhão de reais. E nada menos do que 75% desse montante referem-se a compras em sites clandestinos, que não oferecem ao consumidor garantia de qualidades dos remédios entregues, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Smeal College of Business, um importante centro de pesquisas de mercado da Pensilvânia, nos Estados Unidos.

“As compras online são uma tendência irreversível, principalmente em produtos padronizados, aqueles sobre os quais o consumidor não precisa necessariamente inspecionar, olhar, gostar”, diz o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. Mas, ainda de acordo com Halpern, justamente por causa dessa facilidade, é preciso encontrar ferramentas para garantir a qualidade daquilo que está sendo oferecido. “Os modos de fiscalização e de controle têm de acompanhar os novos tempos, e a melhor maneira de fazer isso nesse universo de compras digitais é contando com o apoio da Inteligência Artificial (IA), já que nenhum trabalhador seria capaz de verificar uma quantidade de dados desse porte”, completa Halpern. Existem entre 32 mil e 35 mil pontos de venda de medicamentos online, que desaparecem e são recriados com muita velocidade, cerca de 20 por dia, em média.

Na última semana, desenvolvedores ligados à Penn State, a universidade estadual da Pensilvânia, anunciaram o desenvolvimento de um algoritmo capaz de identificar e avisar o consumidor sobre os riscos de comprar medicamentos em determinado endereço virtual. A equipe usou um software de IA que foi capaz de classificar de maneira segura as farmácias.  O programa rastreia as ligações em rede e estabelece uma escala de probabilidade, entre ser muito provável que aquele site seja oficial ou muito provável que não o seja. O algoritmo precisa rastrear milhares de conexões em cada um deles, porque a maior parte das páginas falsas se utiliza maliciosamente de redirecionamentos a partir de sites reconhecidos e confiáveis.

Riscos ao bolso e à saúde

Se normalmente há riscos envolvidos na compra de produtos em sites não oficiais, eles são muito mais graves no caso das farmácias, porque não envolve apenas uma possível perda econômica, mas prejuízos à saúde. As principais delas seriam a utilização de produtos de segunda linha nos medicamentos ou mesmo a utilização de doses de agente ativo menores do que as recomendadas, tornando os tratamentos menos eficientes do que deveriam, ou mesmo inócuos.

Com informações: Smeal College of Business; Penn State University; Journal of Medical Internet Research; Phys.