Algoritmo desenvolvido por pesquisadores brasileiros detecta fake news com quase 100% de precisão

Pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos (SP), desenvolveram um algoritmo que consegue identificar notícias falsas com 96% de precisão. A plataforma utiliza uma série de modelos matemáticos que, por meio de inteligência artificial e aprendizado de máquina (machine learning), definem a probabilidade de uma notícia ser falsa ou verdadeira.

Para desenvolver os modelos, os cientistas analisaram mais de 100 mil textos para identificar padrão de linguagem, vocabulários, estrutura de texto e sintaxe.  Esses aspectos costumam seguir determinados padrões. As palavras e estruturas são diferentes quando estão falando a verdade ou não. Segundo os linguistas, as pessoas tendem a ser mais emotivas e assertivas quando estão mentindo.

“As pessoas que propagam fake news costumam embasar suas mentiras em fatos verdadeiros. Assim, é preciso ensinar o algoritmo, refinando a análise para que possa identificar essas minúcias. Esse é um dos desafios no desenvolvimento de plataformas como esta”, explica Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas. Outro desafio é saber identificar um texto de opinião, que não traz necessariamente notícia ou mesmo um conteúdo irônico.

Para verificar o nível de precisão de acertos, depois de ensinar ao algoritmo as características e a estrutura típica das notícias falsas, os cientistas submeteram o programa à análise de um banco de dados com milhares de textos. A classificação deles de acordo com a veracidade (ou não) das informações indicou um índice de 96% de precisão.

Interação homem-máquina

A ferramenta ainda está passando por refinamento e novos testes, inclusive para validar o índice de precisão fora do ambiente controlado de pesquisa. Na verdade, o processo de aprendizado de máquina é contínuo, pois o algoritmo precisa ser atualizado permanentemente com o passar do tempo – incluindo a expansão do vocabulário e até mesmo novas estruturas de texto que surgirem.

Plataformas para detecção de fake news, como a desenvolvida pelos pesquisadores da USP, podem ser mais uma ferramenta poderosa para as agências de checagem. A tendência é que com elas, a interação entre homens e máquinas seja muito maior, combinando a precisão e objetividade da Inteligência Artificial com a subjetividade humana.

Apesar das limitações, as plataformas que ajudam a discernir entre notícias verdadeiras e falsas são um recurso a mais no combate à desinformação, um dos grandes desafios da atualidade.