Algoritmo monitora índice de adesão à quarentena

A inusitada realidade provocada pela eclosão de contágio do novo coronavírus está provando literalmente que “a necessidade é a mãe da invenção”. Atribuída ao filósofo grego Platão, a máxima foi posta em questão pela escritora Aghata Christie. Ela afirmou que a invenção é decorrente da ociosidade. Ao que parece, estamos na confluência de ambas as opiniões, com mais tempo disponível, em virtude do isolamento e da impossibilidade de fazer muitas de nossas atividades cotidianas, e a necessidade de encontrar soluções para uma ameaça global.

A maior parte das soluções desenvolvidas para ajudar o mundo a superar e minimizar os efeitos da Covid-19 está baseada na possibilidade de coletar e monitorar dados. A prefeitura de Recife está medindo o índice de pessoas que estão respeitando a quarentena na capital pernambucana. O algoritmo, desenvolvido pela In Loco consegue monitorar o deslocamento de cada pessoa com uma precisão de dois a três metros. A tecnologia utiliza um modelo de localização por sinal de wi-fi ou bluethooth, cuja precisão é cerca de 30 vezes maior do que a do GPS, que utiliza satélites.

Usando o aprendizado de máquina, a tecnologia identifica o local onde a pessoa passa a maior parte da noite, como sua casa, e, a partir disso, monitora quanto tempo ela permanece no local. A empresa criou um índice de isolamento social, segundo o qual, em média, 60% dos brasileiros estão respeitando a orientação de ficar em casa. O sistema permite não apenas identificar, por meio dos sinais de smartphones, onde a pessoa está, mas também por onde ela circulou num determinado período de tempo.

A tecnologia desenvolvida por outra empresa, a CyberLabs, está sendo aplicada na cidade do Rio de Janeiro para identificar locais em que há aglomeração de pessoas. Usando câmeras instaladas nas ruas e em locais fechados, como padarias, farmácias e restaurantes, o sistema monitora o movimento e envia os dados para a prefeitura. Projetadas sobre um mapa, possibilita identificar os locais onde há risco e tomar medidas imediatas.

As medidas de distanciamento social têm sido fundamentais para conter o ritmo de contágio e evitar o colapso dos sistemas de saúde. “Ao monitorar o comportamento dos cidadãos em relação ao cumprimento da quarentena, a tecnologia faz com que as autoridades de saúde possam adotar medidas rapidamente”, avalia o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern.

Operadoras de telefonia também estão contribuindo para o esforço conjunto no combate ao coronavírus. A TIM, por exemplo, firmou parceria com a prefeitura do Rio de Janeiro para fornecer um mapa de calor mostrando a movimentação na cidade.

 

Com informações: In Loco, CyberLabs, Tecnoblog, “Valor Econômico”, Poder 360.