Algoritmos e nuvem de palavras ditam tendências

A big data serve de matéria-prima para as mais diversas inovações. A Amazon acaba de lançar uma marca de cosméticos que, segundo analistas, teria sido desenvolvida a partir dos termos buscados em seus algoritmos: os produtos contêm todos os ingredientes em alta entre consumidores, são livres de químicos que caíram em desgraça, não são testados em animais e suas embalagens são recicláveis. Enfim, seguem à risca as exigências dos novos consumidores.

Embora comercialize em suas páginas mais de uma centena de produtos com marca própria, mas fabricados por terceiros, desenvolver suas próprias fórmulas de acordo com a nuvem de termos digitadas em sua busca seria um divisor de águas para a gigante do e-commerce.

Segundo a AdChoices, o custo de publicidade direcionada na rede é 50% maior do que os anúncios veiculados sem usar dados e preferências dos usuários. Porém, hoje, praticamente todos os anúncios são direcionados de acordo com os perfis pessoais disponíveis nas plataformas. A estimativa é de que as informações pessoais representam metade da receita de publicidade digital, cerca de US$ 50 bilhões no ano passado.

A coleta e uso de dados é o segmento que mais cresce na economia dos EUA. O valor dos dados de cidadãos americanos coletados pelas empresas de tecnologia deve atingir US$ 198 bilhões em 2022, segundo projeção da empresa de pesquisa Sonecom, superando a geração de receita do agronegócio no país. Mas a coleta de informações, por si só, não gera valor: isso depende em grande parte da rapidez e acuracidade com que são analisados.

Muito além da publicidade

Bancos de dados de clientes se tornaram vitais para estratégias de vendas. Na indústria 4.0, processos de produção dependem de informações em tempo real sobre cada etapa da cadeira de suprimentos. Hoje, as análises comportamentais influenciam até mesmo resultados de eleições e plebiscitos ao redor do mundo.

“Nos últimos anos, ficou evidente que dados são um ativo muito valioso”, lembra o empresário Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas. Empresas como Uber, AirBnb e o próprio Facebook agregam valor a negócio com base no uso que fazem dos dados que coletam em plataformas e apps. “Mas, via de regra, esses valores acabam sendo contabilizados somente quando são perdidos ou de alguma forma colocados em risco”, completa Halpern.

A notícia de que o Facebook provisionou US$ 3 bilhões para possíveis perdas relacionadas a investigações de violação de privacidade ganhou as manchetes há poucos dias. E depois disso, novas alegações de quebra de sigilo já surgiram.

A Global Data Protection Regulation (GDPR), na Europa, vem contribuindo para a melhor compreensão do peso da big data nos negócios, pois tornou mais tangível o prejuízo que as empresas terão caso não respeitem a regulação.