Aplicativos de rastreamento são a nova arma no combate à Covid-19

Depois das medidas de distanciamento social, quarentena, uso de máscaras e da corrida para a produção de testes e desenvolvimento de vacina, as iniciativas para conter o contágio pelo novo coronavírus, agora, incluem os aplicativos de rastreamento de pessoas.

O primeiro deles foi desenvolvido pela Agência de Tecnologia do Governo e pelo Ministério da Saúde de Singapura e já vem sendo usado por mais de 600 mil dos 5,7 milhões de habitantes da ilha. Batizado TraceTogheter, o aplicativo usa tecnologia bluetooth para identificar dispositivos próximos uns dos outros – num raio de cerca de dois metros, por um determinado período. Isso permite que se alguém for diagnosticado com a Covid-19, é possível alertar rapidamente as pessoas que estiveram próximas do doente nos dias anteriores e orientá-las a ficar em quarentena. A identificação de potenciais infectados ajuda a conter a propagação do vírus.

O governo de Singapura disponibilizou o código-fonte do software gratuitamente numa tentativa de ajudar a comunidade internacional a combater a pandemia de coronavírus. Um dos primeiros países a anunciar a adoção da tecnologia foi a Austrália, que deve começar a usar o aplicativo até o fim do mês. O Reino Unido divulgou que irá oferecer aos seus cidadãos a tecnologia de rastreamento, embora não tenha revelado se está usando algum código-fonte já disponível. Os governos da França e da Itália também já sinalizaram o uso de aplicativos e a Espanha anunciou que está participando de um projeto que envolve vários países europeus.

Uma equipe do Massachusetts Institute of Technology (MIT) desenvolveu um aplicativo similar, também gratuito e com código fonte aberto, que ganhou o nome de Safe Paths. Há poucos dias, Apple e Google também tornaram pública a criação de um sistema usando smartphones para rastrear contatos com pessoas infectadas pelo novo coronavírus. Segundo as empresas, os aplicativos oficiais das autoridades de saúde pública também terão acesso aos dados.

Questionamentos éticos e legais

Como várias das alternativas que vêm sendo criadas no esforço para enfrentar a pandemia, que já causou mais de 123 mil mortes no mundo, os aplicativos de rastreamento possuem limitações e acirraram o debate em torno da privacidade de dados. Entre as limitações estão a necessidade de que os cidadãos aceitem usar o aplicativo e que mantenham ativado o sinal de bluetooth em seus smartphones, já que sua eficácia depende do uso por uma parcela significativa da população.

As autoridades e empresas de tecnologia afirmam que os sistemas seguem os mais elevados padrões de ética e segurança e que eles mantêm o anonimato ao usar somente os sinais dos dispositivos. Mas há receio se os dados não poderão ser usados para outras finalidades e se, passada a pandemia, os aplicativos serão desativados. Ou, então, que eles possam violar, por exemplo, o sigilo de informações de saúde ou a privacidade. Outra limitação é que não há como ter certeza de que, ao serem avisadas de que estiveram próximas de alguém infectado, as pessoas irão respeitar a realização da quarentena.

“Um aplicativo que permita rastrear casos de Covid-19 e alertar possíveis infectados é, sem dúvida, um aliado importante para ajudar a conter a pandemia, sobretudo se houver o endosso de todos”, afirma o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. “Acredito que será ainda mais útil quando os países começarem a flexibilizar o isolamento”, acrescenta.