Arie Halpern: a IBM e seu supercomputador Watson

Arie Halpern: a IBM e seu supercomputador Watson

Arie Halpern: a IBM e seu supercomputador Watson

Conforme as tecnologias disruptivas vão cimentando sua presença ao redor do mundo, cientistas, programadores e usuários em geral tentam entender como cada uma delas funciona e o que podem trazer para nossa realidade. Na área de inteligência artificial, um supercomputador, chamado Watson, tem roubado a cena. Criado pela IBM, Watson é um sistema de computador capaz de responder perguntas em linguagem humana (falada ou escrita, e não códigos). Para compreender o valor disruptivo desse novo computador da IBM, conversamos com o economista e empreendedor voltado para inovação e tecnologias disruptivas Arie Halpern.

 

O que explica o sucesso do Watson no jogo de perguntas e resposta norte-americano Jeopardy?

Arie Halpern: A primeira grande aparição do Watson foi nesse programa, um dos mais populares dos Estados Unidos, em 2011, em que competiu com dois jogadores humanos. Para se preparar para o desafio, ele teve acesso a mais de 200 milhões de páginas de conteúdo, incluindo todos os textos hospedados no site Wikipedia, mas durante a disputa ele não teve acesso a internet. Para cada questão, o Watson conseguia analisar rapidamente os dados e achar a resposta.

O grande diferencial do Watson em relação processadores de informação é que dados vindos da web são estruturados para seres humanos, não costumam ter uma ordem específica, o que dificulta a interpretação mesmo para um supercomputador. O Watson, no entanto, foi criado com algoritmos complexos de deep learning, dando a ele uma espécie de inteligência cognitiva que permite fazer essas análises.

O que é o deep learning?

Arie Halpern: De forma simplificada, deep learning é uma área dentro da inteligência artificial que trabalha para que as próprias máquinas criem algoritmos que possam utilizar em seus processos internos. Ou seja, ela precisa ser alimentada por um humano com dados e informações toda vez que realizar um processo.

Que áreas podem tirar melhor aproveitar melhor essa capacidade de análise e aprendizado do Watson?

Arie Halpern: A IBM tem difundido bastante o uso do Watson nas mais variadas situações. Ele está sendo usado como assistente pessoal no varejo, em parceria com a rede Macy’s e também para auxiliar e informar pacientes com câncer e seus parentes, em uma parceria com a American Cancer Society. Na área da educação, a IBM fez uma parceria com a Sesame Street para desenvolver plataformas e produtos que ajudem a aperfeiçoar a educação pré-escolar, isso sem mencionar as parcerias com startups, segurança de bancos e até mesmo carros autônomos.

O Watson costuma ser descrito como um assistente virtual. Qual a diferença entre ele e outros assistentes, como a Siri, da Apple, e o Google Now?

Arie Halpern: A principal diferença é a forma como Watson se comunica com as pessoas, ou seja, o uso da linguagem natural. Apesar da Siri saber se comunicar em inglês, ela não passa a mesma naturalidade que a tecnologia da IBM. Falamos com a Siri sabendo que ela é um computador, com instruções simples e diretas, e esperamos também uma resposta direta. Outra diferença é o processo cognitivo desenvolvido no Watson, como mencionei acima.

Porque esse sistema e outros de inteligência artificial (IA) têm sido tão difundidos?

Arie Halpern: Primeiramente, é interessante lembrar que a própria IBM não considera que o Watson seja uma inteligência artificial, a empresa chama o Watson de “sistema cognitivo”, mas a verdade é que não há qualquer consenso sobre o sistema cognitivo ser ou não parte da inteligência artificial.

Agora, sobre o crescimento da inteligência artificial, nunca é fácil definir exatamente o porquê de uma tecnologia despertar de forma tão intensa a curiosidade e o interesse das pessoas. Além do grande impacto que a ficção científica trouxe para a inteligência artificial, eu diria que um grande motivo para o avanço da IA é sua capacidade de análise de dados, principalmente para empresas, devido a sua capacidade de analisar grande quantidade de dados em menos tempo que o ser humano. Trata-se também de uma tecnologia que pode ser facilmente adaptada para qualquer setor, medicina, comércio, robótica e até mesmo cinematografia.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *