Arie Halpern: algoritmos começam a ditar comportamentos no trabalho

Arie Halpern: algoritmos começam a ditar comportamentos no trabalho

Os tempos em que um chefe dizia ao empregado o que fazer ou deixar de fazer podem estar com os dias contados. Agora, um terceiro elemento – o algoritmo – começa a tomar parte e ditar o comportamento dos profissionais no trabalho. Muito utilizados na computação, os algoritmos são como receitas que contêm instruções para realizar tarefas específicas, das mais simples às mais complexas. Pois o uso de algoritmos, que podem ser sofisticados o bastante para dados e oferecer múltiplas soluções para um problema, está chegando ao mundo das relações do trabalho. Segundo o economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologias disruptivas Arie Halpern, algoritmos passarão cada vez mais a ditar o comportamento no trabalho. “O emprego de algoritmos pode contribuir para aumentar a produtividade, padronizar tarefas e controlar a qualidade. Mas é preciso usar esse recurso com inteligência pois, ao mesmo tempo, ele pode desumanizar as relações e inibir a iniciativa e a criatividade das pessoas.”

Um exemplo do uso de algoritmos pode ser visto em experiências do Uber, que controla a maior rede de serviços de transporte compartilhado do mundo. Os algoritmos são usados pela empresa como ferramentas para a motivação. Assim, ao longo do dia, os motoristas recebem mensagens de estímulo para lembrá-los que falta pouco para alcançar uma meta financeira diária, ou para mimá-los com “conquistas”. Por ter uma força de trabalho majoritariamente masculina, foram criadas personas femininas para fazer essa comunicação. Como sublinha reportagem no portal do jornal New York Times, a empresa usa “incentivos psicológicos e outras técnicas desenterradas da ciência social para influenciar quando, onde e por quanto tempo os motoristas trabalham. É uma busca por um sistema perfeitamente eficiente: um equilíbrio entre a demanda do piloto e o fornecimento do motorista ao menor custo para os passageiros e a empresa”.

Maior concorrente da empresa nos Estados Unidos, a Lyft recorre a técnicas semelhantes de condicionamento comportamental. Novamente, é o New York Times a relatar que, em 2013, a companhia fez testes com dois grupos de motoristas. Para o primeiro, enviava mensagens dizendo o quanto eles ganhariam a mais se parassem de trabalhar em períodos poucos movimentados, como terça, e trabalhassem sexta à noite. Para o segundo grupo, as mensagens mostravam o quanto eles perderiam de dinheiro se trabalhassem na terça-feira. A empresa percebeu que o segundo tipo de mensagem era mais eficiente. O estudo fez uso dos algoritmos para estimular e analisar as reações dos motoristas.

Outras empresas como Accenture, Intel, IBM e Twitter também estão utilizando a tecnologia para entender os sentimentos de seus funcionários sobre o trabalho que realizam e detectar problemas antes que eles cresçam, segundo o portal The Atlantic. No caso do Twitter, por exemplo, eram feitas pesquisas de satisfação duas vezes por ano, com poucas perguntas, mas desde que a empresa passou a adotar um software específico para lidar com os dados, aumentou o número de perguntas e passou a enviar o questionário para um maior número de funcionários.

Reportagem da Bloomberg mostra que o gerenciamento científico de funcionários pode melhorar, nos trabalhadores, a capacidade de fazer escolhas e de solucionar conflitos. Mas, embora os algoritmos e a tecnologia possam ajudar os humanos a aperfeiçoar suas atividades, o seu uso requer cuidados. “É necessário que as empresas tenham maturidade para usar os algoritmos de forma que não só elas, mas também seus funcionários, possam sair ganhando”, diz Arie Halpern.


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