Arie Halpern: como as LawTechs estão agitando o mundo jurídico

Arie Halpern: como as LawTechs estão agitando o mundo jurídico

À medida que vão se familiarizando com termos relacionados à aprendizagem de máquinas e o uso de dados, os escritórios de advocacia começam a se adaptar às novas tecnologias e inovações. Quem está movimentando por completo o ecossistema jurídico são as LawTechs, termo utilizado para definir as startups de inovação e tecnologias disruptivas que facilitam aspectos rotineiros e burocráticos da profissão, segundo explica Arie Halpern. “Como as lawtechs estão agitando o mundo jurídico, uma das profissões mais tradicionais e conservadoras, comprova-se que nenhuma área está imune ao processo de automatização”, afirma o economista e empreendedor focado em tecnologia e inovações disruptivas.

Um exemplo de como a tecnologia pode agilizar e facilitar o trabalho dos advogados está na rede bancária do norte-americano  JPMorgan. Uma máquina chamada COIN faz em questão de segundos o que demorava 360 mil horas para um advogado realizar. Esse processo é feito por meio de investimentos em aprendizado de máquinas.

A mudança é impulsionada não somente pela demanda dos clientes, mas também pela concorrência das empresas de contabilidade, que começaram a oferecer serviços jurídicos e a usar a tecnologia para a realização de trabalhos rotineiros. É o caso de uma startup brasileira que investe na automatização de processos jurídicos. A Sem Processo foi criada com o objetivo de viabilizar acordos entre advogados e empresas em processos referentes ao Direito do Consumidor. A solução  viabiliza com mais praticidade os acordos, além de gerar economia para todas as partes envolvidas.

Inteligência artificial

Na Inglaterra, o sistema TermFrame, encontrado na empresa Pinsent Masons, imita o processo de tomada de decisão de um ser humano. A tecnologia de inteligência artificial orienta advogados em diferentes tipos de trabalho, ao conectá-los a documentos e precedentes relevantes em momentos-chave. Tarefas como essa são tradicionalmente direcionadas a profissionais em começo de carreira.

Outra aplicação da IA está na Allen & Overy, empresa de consultoria jurídica que, em parceria com a Deloitte, criou um serviço para ajudar os bancos a lidar com os rígidos regulamentos pós-crise financeira europeia. O sistema Margin Matrix codifica a lei em várias jurisdições e automatiza a elaboração de determinados documentos. Nesse processo, o tempo de redação de um documento é reduzido de três horas para apenas três minutos.

Segundo aponta reportagem do Financial Times, estudo feito pela consultoria Deloitte sugere que a tecnologia é responsável pela perda de empregos no setor jurídico no Reino Unido e estima que mais de 100 mil postos podem ser automatizados no prazo de 20 anos.

Apesar de o cenário parecer pouco animador, muitos escritórios de advocacia investem em inteligência artificial como forma de automatizar algumas tarefas a fim de permitir que os advogados se concentrem em trabalhos mais complexos e que as máquinas não são capazes de realizar. “A questão central não é sobre a substituição de algumas tarefas pela máquina, mas sim como a mente humana irá se adaptar às novas oportunidades”, diz  Arie Halpern.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *