Arie Halpern: Computadores começam a superar o raciocínio humano

Arie Halpern: Computadores começam a superar o raciocínio humano

 

“As máquinas irão superar os homens?”. Essa questão que mescla medo e curiosidade é recorrente desde que a tecnologia está inserida efetivamente em nossas vidas. Em muitas coisas, é verdade, os computadores já nos superaram – é o caso da capacidade de memória e armazenamento de informação. Por outro lado, os homens ainda têm a vantagem da racionalidade, do poder de discussão, análise e argumentação. Mas até quando? Para Arie Halpern, computadores começam a superar o raciocínio humano.

Nessa semana, o Google divulgou que o seu sistema de aprendizado de máquina chamado AutoML criou códigos mais eficientes que os criados pelos próprios desenvolvedores da plataforma. Segundo a equipe da empresa, a necessidade da criação do programa é devido à falta de profissionais de programação de inteligência artificial capacitados.

No lugar de superar os homens, as máquinas irão acabar de superando. O Google DeepMind criou um programa capaz de ganhar dos melhores jogadores do mundo – inclusive máquinas – do Go (game criado pelo Google DeepMind, subsidiária da Alphabet). O mais impressionante é que a nova plataforma é autodidata. Ela foi desenvolvida para aprender a jogar do zero sem qualquer tipo de ajuda, para no fim, se tornar invencível.

Xeque-mate

O embate entre máquina e mente humana começou a virar quando os computadores começaram a vencer jogadores reais de xadrez. Em 1997, o Deep Blue, da IBM, se tornou o primeiro computador da história a derrotar um campeão mundial no tabuleiro. A vítima foi o russo Gary Kasparov.

Passado isso, os jogadores que enfrentavam máquinas passaram a utilizar táticas estranhas à inteligência artificial. Tais métodos, no entanto, foram incorporados ao repertório dos robôs por seus programadores. O resultado dessa evolução está no ranking mundial chamado Sistema Elo – enquanto o melhor jogador da atualidade, o sueco Magnus Carlsen, tem 2.850 pontos, o computador Komodo possui impressionantes 3.350 pontos.

Os primeiros passos

Tal como as crianças, os computadores começam a compreender informações a partir de dados coletados. Alguns especialistas acreditam que a inteligência das máquinas se equipará à dos humanos até o ano de 2050. É o caso da professora da Universidade de Stanford, Fei-Fei Li. Ela utiliza da premissa que os seres humanos aprendem por meio de experiências. “Ninguém diz para uma criança como enxergar”, conta ela à BBC. “Aos três anos de idade, ela teria centenas de milhões de fotos. Isso é um grande treinamento”.

Pensando nesse método de aprendizagem das crianças, Fei-Fei Li quer criar olhos eletrônicos para robôs, a fim de fazê-los entender o que se passa ao seu redor.

Não é por isso, entretanto, que os robôs irão dominar os humanos como nos filmes de ficção. “O raciocínio das máquinas funciona de modo binário”, explica Arie Halpern. “Esse método de pensamento pode ser uma qualidade no sentido de melhorar o debate humano”. Desde questões como qual método escolher para alavancar seu projeto ou como qual estratégia usar para acabar com o terrorismo, as máquinas podem apresentar uma série de evidências, registros históricos, entre outras informações que o ser humano não pode condensar.


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