Arie Halpern critica proposta do Five Eyes e diz que sem criptografia internet ficará vulnerável

Arie Halpern critica proposta do Five Eyes e diz que sem criptografia internet ficará vulnerável

Five Eyes, ou Cinco Olhos, poderia ser o nome de uma organização do mal em um filme de James Bond. No mundo real, ela é uma aliança que reúne representantes das áreas de inteligência e informação de cinco países: Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Não se pode dizer que seja uma organização do mal, porém, tampouco pode ser colocada ingenuamente no polo oposto. A bandeira principal do Five Eyes é a segurança e o combate ao terrorismo, mas algumas coisas que seus líderes e governos propõem, sob o pretexto dessa cruzada supostamente bem intencionada, não parecem nada boas para o cidadão. Em reação aos recentes ataques terroristas na Inglaterra, o grupo se reuniu em 26 de junho em Ottawa, no Canadá, na tentativa de avançar nas conversas com empresas de tecnologia. A intenção é pressioná-las a franquear o acesso dos serviços de inteligência ao conteúdo das mensagens que são trocadas nos serviços de comunicação, como Whatsapp e Facebook Messenger. Hoje isso não é possível, pois o conteúdo das mensagens é criptografado de ponta a ponta.

Na visão do Five Eyes, essa proteção dos dados facilita a comunicação entre grupos terroristas. Para o economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologias disrutptivas, Arie Halpern, as empresas têm razão em resistir a esse assédio. “Enfraquecer a criptografia significa tornar vulnerável o  sistema como um todo, com graves consequências para o direito das pessoas à privacidade”, diz ele. “Além disso, um sistema de segurança mais frágil poderá ser invadido com mais facilidade também pelas organizações terroristas, produzindo efeito contrário ao que se pretende buscar.”

Uma das maiores inimigas do sigilo das comunicações na internet, a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, acusa as empresas de tecnologia de proporcionar aos terroristas “espaços seguros” para agir. Outro fervoroso defensor da limitação do uso da criptografia, o senador australiano George Brandis acredita que a proteção do sigilo “vai degradar, se não destruir, nossa capacidade de reunir e agir em inteligência”, contou ao Sidney Morning Herald.

Na contramão dessas opiniões, a iniciativa “Secure The Internet” produziu uma carta aberta direcionada aos líderes mundiais para encorajá-los a apoiar a proteção e a segurança dos usuários, empresas e governos, reforçando a integridade das comunicações e sistemas. “Embora os desafios da segurança moderna sejam reais, tais propostas ameaçam a integridade e a segurança das ferramentas de comunicação de modo geral, do comércio internacional, da imprensa livre, dos governos, dos defensores dos direitos humanos e dos indivíduos em todo o mundo”, argumenta em um dos trechos o comunicado assinado por dezenas de organizações, companhias e pessoas ligadas à tecnologia e aos direitos humanos.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *