Arie Halpern: disruptura do transporte urbano é obsessão nas empresas de tecnologia

Arie Halpern: disruptura do transporte urbano é obsessão nas empresas de tecnologia

Para transformar em realidade o plano de ser a primeira cidade do mundo a oferecer um serviço de táxis voadores com drones autônomos, Dubai realizou há uma semana (25) os primeiros testes de decolagem. Quem está por trás do projeto é a alemã Volocopter, uma das dezenas de empresas que estão acirrando a disputa – cada um com sua visão de futuro – para criar uma novo meio de transporte urbano nos próximos anos. Para Arie Halpern, a disruptura do transporte urbano é uma obsessão das empresas de tecnologia. “Na verdade, esse jogo de adivinhação sobre como nos locomoveremos sempre foi uma obsessão da nossa sociedade há décadas – está no cinema, nos desenhos e nos livros de ficção”, diz o economista e empreendedor com foco em tecnologia e inovações disruptivas.

Apesar de o teste representar um grande avanço para o transporte mundial, o primeiro voo não foi tripulado. A proposta do projeto de táxi aéreo é que ele transporte pessoas sem a necessidade de um piloto por até 30 minutos. Para o caso de falhas, ele é equipado com baterias reservas, rotores e, em até alguns paraquedas.

A francesa Airbus tem objetivo parecido com o desenvolvimento de dois projetos. Um deles é o Volt, uma espécie de helicóptero autônomo para transporte de cargas. O outro, mais ousado, é o “carro voador” CityAirBus, com capacidade para quatro pessoas e feito para o deslocamento em grandes cidades.

A Toyota, a Uber e a Kitty Hawk, startup com investimentos de Larry Page, do Google, são outros exemplos de empresas que investem em locomoção pelos ares.

Viagem em cápsula

Percebe-se com os projetos citados que a resolução para o futuro é desafogar o trânsito terrestre. Se a situação atual chega a ser caótica em muitos lugares (cerca de 1 bilhão de carros estão nas ruas atualmente em todo o mundo), ela só tende a piorar nos próximos anos. Segundo a BBC, esse número deve triplicar em 2050.

Um dos conceitos mais ousados de locomoção vem de um dos investidores mais controversos do mundo das novas tecnologias. É de Elon Musk, CEO da Tesla, a ideia do Hyperlook, sistema de cápsulas de transporte que viajará à velocidade da luz. Por mais utópica que a invenção possa parecer, ela não só pode resolver o trânsito em muitos lugares do globo, como pode virar realidade em terras brasileiras. Segundo Bibop Gresta, da Hyperloop Transportation Technologies, em entrevista para o Valor Econômico, “por conta da falta de infraestrutura, o Brasil pode pular etapas e ir direto para uma tecnologia mais moderna”.

O Hyperloop é uma cápsula semelhante aos trens-balas que, inseridas em tubos de baixa pressão e por conta da pressurização do ar, pode atingir velocidade de até 1,2 mil km/h.

“Diferente da ideia dos carros voadores, por exemplo, o projeto de Musk sai na frente por ter como inspiração estudos nem tão novos sobre trens pneumáticos e transportes de altíssima velocidade sob terra”, explica Arie Halpern. A prova disso são os recentes testes realizados nos Estados Unidos.

O que há em comum entre os diversos projetos que têm como ambição revolucionar a forma como nos locomovemos nas grandes cidades é a autonomia. “O processo de evolução do transporte urbano moderno passa, obrigatoriamente, pela autonomia. Tais projetos – não importa sua complexidade ou pretensão – precisam ser criados para serem independentes e funcionarem com naturalidade pelas vias”, afirma Arie Halpern.


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