Arie Halpern: a inteligência visual aumentará a disruptura provocada pela inteligência artificial

Para Arie Halpern, a inteligência visual ampliará as possibilidades da inteligência artificial

A grande corrida entre empresas de tecnologia se dá hoje no terreno da inteligência visual das máquinas. O objetivo é emular, nos robôs, a capacidade humana de traduzir dados visuais e reagir a eles. “Essa evolução tecnológica multiplicará o poder disruptivo da inteligência artificial sobre nossas vidas”, diz o economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologias disruptivas Arie Halpern.  “A inteligência visual ampliará extraordinariamente as possibilidades de uso de máquinas em funções até agora desempenhadas apenas por humanos”, afirma.

Um dos setores que já realizam experiências nesse território é o comércio eletrônico, como mostra uma recente movimentação da Amazon. A empresa norte-americana redesenhou a assistente digital Alexa, conhecida dos consumidores do site da Amazon, que até então respondia apenas pelo comando de voz. Com a criação do Echo Look, Alexa passa a “enxergar” com a ajuda de uma câmera. Assim, ela tira fotos e vídeos e oferece “um novo serviço que combina algoritmos de aprendizado de máquina com conselhos de especialistas em moda”, diz o site oficial do produto.

Além de ser uma espécie de consultor, o Echo Look pode oferecer aos consumidores opções de novas roupas e estilos, encontrados, claro, no site da Amazon. Porém, mais importante do que isto, o gadget captura dados visuais exclusivos de seus clientes para que os computadores da empresa possam aprender ao máximo sobre estilos, costumes e tendências dos humanos.

Em entrevista ao TechCrunch, o cientista Fei-Fei Li, diretor da área de inteligência artificial da Universidade de Stanford (EUA), conta que “o único caminho para construir máquinas inteligentes é capacitá-las com poderosa inteligência visual”, lembrando que para os animais a visão sempre foi uma das ferramentas mais poderosas para se locomover, sobreviver e interagir.

A crescente incorporação da inteligência visual aos equipamentos deverá colocar no mercado cada vez mais objetos com dispositivos de captura de imagem. Em breve, teremos câmeras em quase todos os equipamentos: geladeiras, carros, além de câmeras de segurança e sensores visuais para gerenciar a rega dos jardins e a temperatura dentro de casa. Estes dispositivos coletarão informações por meio de dados visuais fotográficos e térmicos, raios-X, ultrassom e luz branca. Nas pesquisas com transporte autônomo, dos veículos sem motorista, o desenvolvimento da inteligência visual das máquinas é um dos principais objetivos perseguidos pelos pesquisadores.

“A personalização de serviços é outra das tendências que a inteligência artificial deve impulsionar”, segundo Halpern. É o que se vê pelas experiências de lojas como North Face, Macy’s e Sears em que utilizam o computador Watson da IBM para melhorar a experiência do usuário nas compras. Identificação de personalidades e gostos individuais de cada um dos clientes com a ajuda dos perfis sociais na internet (https://www.statsocial.com/); a personalização feita através de um processamento de linguagem para ler e entender as atividades sociais do consumidor com a ajuda do histórico de compras; e o direcionamento do usuário durante sua experiência de compra online são as frentes em que os pesquisadores de inteligência artificial da IBM trabalham. Pode-se esperar, também, por uma grande disruptura em outros setores. “O maior impacto do uso da inteligência visual possivelmente ocorrerá nas áreas de saúde e segurança”, diz Halpern.


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