Arie Halpern: a interface cérebro-máquina é o futuro da robótica

Para Arie Halpern, a interface cérebro-máquina pode ser o futuro da ciência

Para Arie Halpern, a interface cérebro-máquina pode ser o futuro da ciência

O debate sobre a chegada dos robôs e seu impacto na vida humana tem estimulado os mais diversos tipos de opinião. De um lado estão os que acreditam que as máquinas tornarão obsoletas as habilidades humanas. Um vídeo do jornal “The Economist”, postado no Facebook, mostra que até 2037, 47% dos trabalhos atualmente feitos pelo homem serão automatizados. Do outro, estão os que acham que a chegada dessas tecnologias permitirá ao ser humano estender sua capacidade motora e intelectual, talvez até com a chance de nos tornarmos “ciborgues”. Na visão do economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologias disruptivas Arie Halpern, a interface cérebro-máquina deve ser o próximo passo da evolução da tecnologia humana, provocando mudanças nos próprios seres humanos.

A função da interface cérebro-máquina é coletar e analisar as atividades neurais e traduzi-las para comandos que possam ser realizados por uma pessoa ou máquina conectada ao dispositivo. Normalmente, isso ocorre por meio de leituras eletroencefalografia (EEG), método de monitoramento eletrofisiológico para registrar a atividade elétrica do cérebro. Os primeiros experimentos com uma interface neural conectada a um computador foram realizados em 1970, quando grupos de cientistas tentaram provar que o feito era possível.

A tecnologia mostrou-se capaz de realizar feitos surpreendentes. A equipe de pesquisadores da Associação Alberto Santos Dumont Para Apoio à Pesquisa (AASDAP), localizada em São Paulo, iniciou o projeto “Andar de Novo”, que permite a pacientes paraplégicos recuperar parcialmente o movimento das pernas. Miguel Nicolelis, coordenador do projeto, responsável por fazer um paraplégico chutar uma bola com um exoesqueleto na abertura da Copa do Mundo de 2014, explica que o objetivo inicial era ensinar os pacientes a andarem com a ajuda de um exoesqueleto especial. Após um ano de treinamento, no entanto, os pesquisadores perceberam que os pacientes haviam recuperado sensações e movimentos perdidos há mais de 10 anos, antes de iniciar o tratamento. A hipótese levantada pela equipe é que o capacete usado pelos paraplégicos para simular uma caminhada reativou comandos cerebrais sobre nervos sobreviventes na espinha.

Outro avanço dos dispositivos cérebro-máquina ocorreu no setor de próteses. No começo do ano passado, um paciente conseguiu mover dedos robóticos com a ajuda de seu cérebro. O experimento foi conduzido por cientistas da Universidade de Johns Hopkins. O braço robótico desenvolvido pela equipe consegue reproduzir quase todos os movimentos de um braço real. O paciente que participou do projeto possui epilepsia e, por meio de uma cirurgia, teve implantes de eletrodos colocados em seu cérebro. Os sinais dos eletrodos foram conectados ao braço robótico, que foi capaz de identificar os comandos elétricos e realizar as funções desejadas. “O interessante é que o paciente tinha controle de seus dois braços naturais e mesmo assim conseguiu movimentar um terceiro membro robótico”, comenta Arie Halpern.


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