Arie Halpern: mobilidade urbana só tem a ganhar com transporte coletivo

Para Arie Halpern, mobilidade urbana vai além de carros autônomos

Para Arie Halpern, mobilidade urbana vai além de carros autônomos

 

Os carros autônomos estão no centro das atenções e tem recebido milhões de investimentos das montadoras, mas o futuro da mobilidade urbana está no transporte coletivo. Os veículos sem motorista podem resolver alguns dos problemas de trânsito nas cidades, mas é o transporte coletivo que terá maior impacto e vai ajudar a melhorar a qualidade de vida no trânsito.

Essa é  uma discussão que precisa começar o quanto antes, avalia o economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologia Arie Halpern, mobilidade urbana. “Para termos cidades inteligentes, que utilizam a tecnologia para melhorar a infraestrutura urbana e a qualidade de vida, é preciso  também criar meios de  locomoção com conforto e segurança. E a presença de carros autônomos não garante melhora da qualidade de vida.”

O trânsito, da forma como está estruturado hoje, tem se mostrado ineficiente e perigoso em praticamente todas as cidades do mundo. Estudo da companhia de viagens Tomtom apontou a Cidade do México como a que tem os maiores congestionamentos do mundo, isso sem falar na poluição. Os motoristas mexicanos perdem até 59% do seu tempo presos em engarrafamentos. Em um ano, esse perdido parado dentro do carro equivale a 219 horas, ou cinco semanas e meia. Entre as dez primeiras cidades desse  ranking global, o Brasil é o único país que aparece com três cidades (Rio de Janeiro, Salvador e Recife) onde as pessoas passam mais de 40% do tempo presas em congestionamentos.

Os acidentes são outro problema que afetam a qualidade de vida. De acordo com a ASIRT (Associação Internacional de Segurança nas Estradas), em média 3.287 pessoas morrem todos os dias vítimas de acidentes.

O país mais populoso do mundo, a China, já começou a trabalhar em possíveis soluções. A maior aposta do governo chinês é o Transit Elevated Bus (TED). Esse ônibus especial possui 8 metros de largura, aproximadamente o tamanho de duas pistas de carro, e 21 metros de comprimento. Com quase 4 metros de altura, ele é capaz de passar por cima dos carros, evitando o trânsito enquanto transporta cerca de 300 pessoas. Esse modelo de transporte, no entanto, ainda está em fase de testes.

Outra iniciativa  para o transporte de grandes quantidades de pessoas é o Hyperloop, proposto pela primeira vez em 2013 pelo empreendedor e CEO da Tesla Motors Elon Musk. O trem, que  fica em um tubo de baixa pressão, é acelerado a partir de um sistema elétrico de propulsão e um sistema de magnetismo que faz com que o veículo não encoste no chão, reduzindo o atrito. Os primeiros testes com protótipos, realizados  por três empresas diferentes que estão disputando esse segmento de mercado, indicam que o Hyperloop pode chegar a 1200 km/h, mais que o dobro da velocidade máxima do trem mais rápido do mundo.

Para desafogar o trânsito nas cidades também estão aumentando os investimentos em modelos alternativos de transportes individuais. “Enquanto alguns empreendedores buscam soluções em macroescala, como o Hyperloop e o TED, outros estão trazendo inovações para o transporte individual e sustentável”, diz Arie Halpern.  São modalidade de transporte  mais econômicas e fáceis de ser implantadas e com grande  aceitação.

As bicicletas são um excelente exemplo. Algumas podem ser pedaladas e outras são movidas a energias alternativas, como elétrica ou solar. Há ainda modelos que nem mesmo precisam de um piloto.

Vários países já viram vantagem em apostar no transporte individual. A Polônia está utilizando um material especial para iluminar suas ciclofaixas, que é capaz de capturar e armazenar energia solar durante o dia para manter o caminho iluminado e sinalizado para os ciclistas à noite. Até mesmo os skates foram adaptados para o futuro, como o Hoverboard, que carrega o usuário sem esforço pelas ruas.


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