Arie Halpern: o combate às notícias falsas depende do bom uso da tecnologia

Para Arie Halpern, o combate às notícias falsas depende da tecnologia e dos seres humanos

Para Arie Halpern, o combate às notícias falsas depende da tecnologia e dos seres humanos

A eleição do presidente norte-americano Donald Trump, no final do ano passado, trouxe à tona o debate sobre a expansão das fake news, as notícias falsas, que se disseminaram em larga escala não só nos Estados Unidos, mas no mundo inteiro. Alvo de críticas por não terem tomado as providências necessárias para evitar que grupos políticos espalhassem boatos, o Google e o Facebook saíram na frente, adotando iniciativas para reduzir o número de notícias falsas em suas plataformas. Para o economista e empreendedor Arie Halpern, o combate às notícias falsas depende da tecnologia para alcançar seu sucesso, mas os esforços precisam ir além. “As iniciativas das duas empresas mostram que essa é uma preocupação de todos, mas precisamos discutir até que ponto as ações tomadas para impedir a proliferação de notícias falas são realmente eficientes”, comenta.

As notícias falsas não são apenas causadas por erros nos algoritmos das redes sociais ou dos sistemas de buscas. Elas se tornaram uma indústria, usada por pessoas má intencionadas, que querem ganhar dinheiro.  Arie Halpern comenta que muitas “empresas” terceirizam pessoas para disseminar notícias fictícias como uma forma de ganhar cliques. Essas empresas compram espaço em publicidades online (que colocam anúncios em diversos sites na internet) e cada vez que alguém clica no link, a empresa recebe um pequeno pagamento. Essa forma de lucrar com a internet iniciou uma indústria global de notícias inverídicas que vai muito além de princípios ideológicos ou morais. Uma reportagem da BBC descobriu que esses “trabalhadores” podem conseguir R$ 6 mil por mês trabalhando nessa indústria. O aumento acelerado do consumo de notícias pela internet, que facilita o compartilhamento nas redes sociais, favorece a disseminação de conteúdo ilegal. Segundo a Forbes, 62% dos americanos procuram notícias primeiro na internet.

Para combater a nova “indústria”, Google e Facebook atualizaram suas políticas e prometem dificultar a entrada de conteúdos ilegais em seus serviços de publicidade. O Google adotou critérios mais rígidos de publicidade para conter a epidemia de notícias falsas. Segundo Richard Gingras, vice-presidente de News, 600 empresas parceiras do Google já foram receberam aviso prévio e 200 foram retiradas do sistema. “O número ainda é baixo considerando as milhares de parcerias feitas na plataforma, mas sinaliza um avanço na tentativa de combater informações falsas na rede”, diz Arie Halpern.

Mas não há motivo para desespero. Arie Halpern e outros especialistas da área avaliam que a tecnologia, junto com o esforço das empresas, pode solucionar o problema em alguns anos. Reportagem da BBC apontou algumas saídas possíveis, como usar os próprios algoritmos dos sistemas de busca. O truque seria programar os algoritmos para reconhecer sites que criados há pouco tempo, além de outros sinais que podem indicar se o site é falacioso. O grupo First Draft, especializado em consultoria de jornalismo digital, está trabalhando nesse nicho junto com o Google e o Facebook. Mas as soluções que parecem mais seguras, até o momento, contam com a ajuda humana. “A tecnologia é o caminho para que as resoluções possam acontecer, mas são as pessoas que devem tomar a iniciativa de impedir que as informações fictícias se espalhem”, observa  Arie Halpern. Iincluir a alfabetização digital nos currículos escolares é uma das soluções apontadas por especialistas. A alfabetização digital ensinaria a compreender o universo digital, como ele funciona, tanto socialmente quanto tecnicamente. Outra alternativa é fazer como o jornal francês Le Monde, que criou um departamento chamado Les Decoudeurs (“os decodificadores”, em português), responsáveis por criar uma extensão de navegador que avisa quando o usuário acessa um site suspeito.


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