Arie Halpern: o passado está cheio de “invenções do futuro”

Para Arie Halpern, o passado também pode servir de inspiração para novos produtos

Para Arie Halpern, o passado também pode servir de inspiração para novos produtos

 

Muito se lê sobre as inovações e invenções tecnológicas no mundo: de carros autônomos, supercomputadores e viagens espaciais aos mais novos gadgets, como tablets e smartwatches, e os dispositivos voltados para auxiliar a vida de pessoas com autismo e algum tipo de deficiência. Não é de hoje que o ser humano corre atrás de mecanismos para otimizar seu dia a dia e diminuir ou facilitar suas tarefas, seja em casa ou no trabalho. Vale lembrar, no entanto, que não foram todas as criações do homem que vingaram e ganharam espaço no nosso mundo, comenta o economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologias disruptivas Arie Halpern. “O passado está cheio de invenções do futuro que, por uma série de motivos, não deram certo”, diz.

Um exemplo é o primeiro “ebook”, criado 1935, muito diferente dos leitores digitais que encontramos nas lojas hoje. Conceituado na época como “o próximo passo lógico no mundo editorial”, o dispositivo era um leitor de microfilmes mecânico montado em uma haste para suporte que, teoricamente, permitia à pessoa se sentar em sua poltrona e percorrer as páginas de um livro com o apertar de um botão. Ao contrário dos ebooks  de hoje, o “leitor de livros” do futuro não era portátil. Seus criadores mal podiam prever que um dia os livros seriam publicados em formato digital.

O futuro também prometia uma quantidade de “capacetes de rádio”. Como o rádio era o meio de comunicação mais popular da época, o inventor do gadget Victor T. Hoeflich tentou encontrar uma solução para que as pessoas escutassem seus programas favoritos de qualquer lugar. O produto era apenas um capacete ao qual era acoplado um sistema de rádio portátil, ligeiramente parecido com que os óculos de realidade virtual de hoje. Hoeflich apresentou sua invenção em 1949 em Nova York. A criação, no entanto, não vingou e os primeiros rádios portáteis surgiram apenas em 1954 com uma aparência quadrada que se assemelhava mais a um tijolo.

Outras invenções eram mais ousadas, como mostra esta lista do portal Popular Mechanics. Um exemplo é o projeto de 1928 de cidade do futuro, do arquiteto Harvey Wiley Corbett. O profissional apostava na construção de diversos arranha-céus, que comportariam desde apartamentos e escritórios até restaurantes, escolas e espaços de recreação. Na área de mobilidade urbana, Corbett criou um sistema de níveis abaixo do solo que dividiam os tipos de veículos: metrô no nível mais profundo, veículos rápidos acima, veículos lentos logo abaixo do solo e a superfície ficaria livre para ser usada apenas por pedestres. Para ir de um nível para o outro, as pessoas utilizariam escandas rolantes em espirais.

Essas invenções, comenta Arie Halpern, eram suportadas por ideias interessantes, mas era difícil prever naquela época outras tecnologias que acabariam desbancando esses modelos, como a televisão e a internet. Foi isso que ocorreu com o relógio de pulso que continha uma agenda telefônica, criado na década de 1980. Hoje, o smartphone e o smartwatch são capazes de fazer a mesma coisa, além de muitas outras funções. Arie Halpern aponta, no entanto, que essas antigas invenções serviram de inspiração para objetos que existem hoje. “Apesar de a tecnologia e da plataforma terem mudado, podemos perceber que muitos dos desejos do consumidor continuam as mesmas desde então, sempre buscando praticidade e inovação”, diz.


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