Arie Halpern: o salto na expectativa de vida humana é fruto do desenvolvimento tecnológico

Arie Halpern: o salto na expectativa de vida humana é fruto do desenvolvimento tecnológico

Estudo recente da Academia Nacional de Ciências, dos Estados Unidos, concluiu que a probabilidade de um ser humano chegar aos 72 anos de idade é hoje a mesma que nossos ancestrais tinham de alcançar os 30 anos. Tal alongamento da expectativa de vida, segundo os estudiosos, ocorreu em sua maior parte nas últimas quatro gerações. Ou seja, é um fenômeno recentíssimo na história humana, considerando-se que segundo eles estamos no mundo há cerca de 8.000 gerações. Segundo comentário do economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologias disruptivas Arie Halpern, o salto na expectativa de vida coincide com o período de maior desenvolvimento da tecnologia. “O avanço da ciência, do conhecimento e da indústria no século 20 revolucionaram a agricultura e a produção de alimentos, a medicina, a higiene, a educação e diversos outros aspectos da vida da população que contribuíram para esse resultado”, diz ele.

O estudo também demonstrou que esse é o progresso mais rápido que já ocorreu em um período histórico em relação à expectativa de vida. Em 1900, a média de vida das pessoas era de 31 anos. Em 1950, havia aumentado para 48. Agora, é de 72. Com o processo de inovação tecnológica em curso, cada vez mais acelerado, dedicado em especial ao combate às doenças, novos marcos devem ser estabelecidos na corrida para esticar o tempo de vida das pessoas. Mark Zuckerberg, fundador e CEO do Facebook, movido pelo marketing ou por convicção, afirma acreditar que se poderá exterminar todas as doenças do mundo até o final do século. Ele está investindo US$ 3 bilhões nessa ideia, depositando-os em um fundo destinado à causa.

Uma das áreas de pesquisa que prometem maior impacto sobre a longevidade humana é a de ferramentas de edição genética, como a CRISPR (do inglês Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats), técnica que consiste em alterar o genoma humano para livrá-lo daquelas partes – ou sequências – que favorecem doenças. Segundo cientistas, o fator genético é determinante no que se refere à expectativa de vida de uma pessoa e ao processo de envelhecimento. Ferramentas do gênero também podem se provar úteis no futuro para erradicar doenças genéticas, segundo reportagem do portal Independent.

Tal como os alquimistas que buscavam o elixir da vida, a indústria persegue soluções tecnológicas para alongar a vida humana (e o retorno dos seus investimentos, claro). Essa corrida, lembra Arie Halpern, é objeto também de muitas controvérsias e envolve mesmo questões éticas. “Há uma discussão em pauta sobre quais devem ser os limites aceitáveis para o prolongamento da vida”, diz o economista. Uma corrente de cientistas critica o fato de se procurar aumentar o tempo de vida sem antes buscar melhorar a qualidade de vida do período em que vivemos. Outra defende que deve haver um limite para o quanto um ser humano pode viver e que estamos chegando perto desse marco. Segundo esta visão, expressa em artigo da revista Nature, os limites da vida humana não são causados apenas pelas doenças, mas por fatores constituintes do nosso próprio corpo.


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