Arie Halpern: os robôs vão transformar o mercado de trabalho

Para Arie Halpern, os robôs farão com que os humanos tenhas que se adaptar a novas funções

Para Arie Halpern, os robôs farão com que os humanos tenhas que se adaptar a novas funções

A Revolução Industrial mudou as formas de trabalho ao colocar, pela primeira vez, as máquinas dentro das fábricas. Quatro séculos depois, uma nova revolução se anuncia: a da inteligência artificial. Erik Brynjolfsson, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e autor do livro “A Segunda Era das Máquinas”, em entrevista à “Veja”, edição de 2/11, disse que “depois dos braços do homem e da máquina a vapor, chegamos aos avanços da tecnologia e da inteligência artificial, em que computadores começaram a diagnosticar doenças, dirigir carros e escrever prosa sem nenhuma orientação humana”.

Uma questão que preocupa é a do impacto dessas transformações nas taxas de emprego. Segundo o economista e empreendedor em inovação e tecnologias disruptivas Arie Halpern, os robôs vão transformar o mercado de trabalho. A questão é quanto tempo os governos e empresas levarão para se adaptar ao novo modelo econômico.

A discussão sobre a chegada dos robôs ganhou novas proporções quando os pesquisadores da Universidade de Oxford Carl Benedikt Frey e Michael A. Osborne publicaram, em 2013, um trabalho científico analisando o quanto cada profissão era suscetível à “computadorização”, em outras palavras, quais as chances de esses  trabalhadores serem substituídos por máquinas inteligentes. O estudo aponta que 35% dos trabalhadores no Reino Unido estão em risco de serem trocados por robôs nos próximos 20 anos. Para analisar essa probabilidade, os pesquisadores determinaram nove habilidades chaves exigidas pelas funções profissionais: percepção social, negociação, persuasão, ajudar e cuidar de outros, originalidade, artes plásticas, destreza com os dedos, destreza manual e a necessidade de trabalhar em um espaço de trabalho apertado.

A substituição do trabalho humano pelos robôs também será diferente para cada país. Uma pesquisa feita pela Universidade de Oxford em parceria com o Citibank em janeiro deste ano aponta que os países com mais riscos de serem robotizados são China, Tailândia e Índia. Mas, calma, lá. “Nem todas as profissões correm risco”, diz Arie Halpern, para quem as ocupações que  exigem alto grau de comunicação, empatia e criatividade, competências que mesmo as máquinas mais avançadas ainda não são capazes de fazer, estão seguras. Alguns exemplos nesses grupos: enfermeiros, artistas, psiquiatras, gerentes e jornalistas. Por outro  lado, empregos de telemarketing, escriturários e inspetores de segurança são alguns que estão no topo da lista de risco.

Erik Brynjolfsson explica que isso se deve à facilidade de ensinar robôs a realizarem trabalhos repetitivos, conforme ele explica no portal Delivered. Além disso, para ele, mesmo que os robôs acabem com alguns trabalhos, eles criarão inúmeros novos empregos. Essa ideia é amparada pelo estudo da Universidade de Oxford com o Citibank. Nele, é apontado como as vagas de emprego nos Estados Unidos estão em crescimento desde 1950, mesmo com a recessão de 2008. Antes, as vagas  estavam concentradas na agricultura, depois, passaram para a indústria, agora elas se deslocam para o setor de serviços, segundo o estudo.

Brynjolfsson também aposta que as melhores inovações da humanidade a partir de agora virão da junção das capacidades humanas e robóticas. Um exemplo seriam os cobôs. Esses “robôs colaborativos” conseguem trabalhar junto com humanos para otimizar o tempo de trabalho e facilitar funções mais pesadas. O MIT também tem trabalhado para criar algoritmos que melhoram a comunicação de robôs com humanos, de forma que o trabalho em conjunto possa ser realizado mais rapidamente, segundo o portal ComputerWorld. O algoritmo criado pode melhorar em 60% a troca de informações. O exemplo dado pelos desenvolvedores é o da ocorrência de um terremoto. Os computadores conseguem facilmente capturar e analisar um número enorme de informações sobre destroços, possíveis sobreviventes e checagem do terreno. Para um humano, isso seria uma quantidade absurda de informações para ser analisada, mas, trabalhando em conjunto, os robôs podem enviar os humanos para os locais mais importantes, economizando o tempo em operações de resgate.


Comentários

Arie Halpern: os robôs vão transformar o mercado de trabalho — 1 comentário

  1. A inteligência artificial, com o tempo, ocupará tanto espaço em nossa vida que se tornará essencial. Gostaria de viver esse tempo só para ver o resultado.

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