Arie Halpern: Por que o Model 3 da Tesla pode ser tão importante para a história dos carros elétricos

Arie Halpern: Por que o Model 3 da Tesla pode ser tão importante para a história dos carros elétricos

O 28 de julho entrará para a crônica da indústria automobilística como o dia em que os primeiros 30 exemplares do Model 3, o carro elétrico da Tesla, foram entregues aos seus supostamente felizes compradores. A data pode se tornar um dos marcos da história da eletrificação dos automóveis e está cercada de expectativa porque muitas dúvidas ainda cercam o lançamento da montadora comandada por Elon Musk. O “carro elétrico das massas”, como muitos gostam de denominá-lo, está na mira da mídia desde o seu anúncio em março de 2016.

“Posso afirmar que esse é o carro elétrico mais importante já produzido”, afirma Michael Ramsey, diretor de pesquisa da empresa de consultoria Gartner, ao The Verge. “Se [a Tesla] alcançar a meta de centenas de milhares de vendas, ela mudará o ambiente global para carros elétricos. Porém, se falhar, a eletrificação dos veículos retornará para a marcha lenta em que se encontrava antes”.

Ramsey se refere às tentativas fracassadas de grandes montadoras – algumas delas centenárias – que foram seguidas de períodos de estagnação nos esforços pela automação e eletrificação. Cabe então à Tesla o próximo lance.

A repercussão e o sucesso do Model 3 devem definir o futuro da companhia. Em 15 anos de história, a Tesla pouco lucrou – apesar de, surpreendentemente, superar a GM e se tornar a montadora com maior valor de mercado dos Estados Unidos. “Se a empresa satisfizer a demanda reprimida com uma opção confiável e rentável, justificará a confiança depositada nela”, afirma Arie Halpern.

Musk afirmou que pretende acelerar a produção do Model 3 para 100 carros em agosto, 1.500 até setembro e incríveis 20.000 veículos até dezembro. Se a empresa se deparar com problemas de escala de fabricação ou se a demanda for baixa, pode haver uma reversão nos prognósticos para a eletrificação dos veículos em geral.

Segundo estimativas do centro de pesquisa de energia da Bloomberg, os veículos híbridos elétricos representarão 54% de todos os carros vendidos no planeta até 2040. A Volvo já decretou que não fabricará mais carros a diesel a partir de 2019. E o ministro do Meio Ambiente da França afirmou que seu país proibirá automóveis queimadores de combustíveis fósseis até 2040. “Muitos especialistas na área chegam a comparar a montadora à Apple, como uma indústria capaz de forçar o mercado a seguir um determinado caminho”, diz Halpern. “Essa hipótese será testada agora.”


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *