Arie Halpern: robôs começam a exercer funções que extrapolam tarefas domésticas

Para Arie Halpern, robôs podem ir muito além das funções humanas (Imagem de divulgação)

Para Arie Halpern, robôs podem ir muito além das funções humanas (Imagem de divulgação)

Esqueça aquela imagem de robôs humanoides que conseguem fazer tarefas humanas com perfeição. A indústria da robótica está indo muito além de imitar a forma humana. A inspiração vem da natureza e dos animais. “Esses robôs são usados nos mais diversos  setores, da  indústria de brinquedo à militar até na área de saúde”, comenta Arie Halpern, economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologias disruptivas. “Os engenheiros têm buscado na natureza ideias para criar robôs que possam exercer funções que extrapolam a capacidade de nosso corpo.”

O Octobot, o robô-polvo, criado por dois engenheiros do Wyss Institute for Biologically Inspired Engineering de Harvard, é exemplar do pensamento disruptivo por trás da criação dessas máquinas. Ele é o primeiro robô construído apenas com material maleável. Produzido com uma impressora 3D, é totalmente autônomo e sua flexibilidade permite que ele se esprema por espaços estreitos. O hardware também é completamente flexível e seu movimento se dá por reações de gás no interior do corpo do robô, que impulsionam seus membros.

Outro exemplo: cientistas de Harvard criaram um pequeno robô inspirado na biologia de uma abelha e no comportamento de colmeia do inseto.  O RoboBee utiliza-se de algoritmos sofisticados de coordenação, métodos de comunicação e ferramentas globais de programação para simular a maneira com que grupos de abelhas reais dependem uma das outras para explorar o ambiente e coletar objetos. “Esse robô poderia auxiliar em operações de busca, explorar regiões de difícil acesso ou até ajudar com a polinização de áreas devastadas, como as abelhas de verdade”, diz Arie Halpern.

Cientistas do MIT trabalharam para criar uma máquina fina e flexível com capacidade de realizar diversas funções. Batizado de LineFORM, o robô possui um corpo comprido, inspirado na forma com que as cobras se movem, que pode ser configurado para imitar diversos objetos, como pulseiras inteligentes, abajures e até mesmo um celular. Segundo Arie Halpern, robôs desse tipo ainda são apenas um conceito, mas são muito promissores.

Há ainda o AQUA, uma espécie de robô com funções de submarino.  O projeto começou quando o cientista de computação do Instituto Oceanográfico de Massachussets Yogesh Girdhar decidiu criar um senso de curiosidade nos robôs. Quando AQUA, projetado para explorar áreas em águas profundas, como os recifes de coral, mergulhou pela primeira vez, ele procurou objetos novos para observar, como peixes e corais, e não prestou atenção em areias e pedras. O software que simula a curiosidade faz com que o robô busque completar as informações básicas que possui sobre o local, com padrões de informações e dados de sua exploração, para formar o quadro mais completo possível da área.

Outro robô curioso é o modelo capaz de se camuflar, assim como os camaleões. Ainda sem nome, ele foi criado por um grupo de pesquisadores da China e dos Estados Unidos para aperfeiçoar a camuflagem para fins militares. Segundo o líder do projeto, Guoping Wang da Wuhan University, o robô possui minissensores de cores em seu corpo para reconhecer a coloração do ambiente. Após recolher essa informação, a cor identificada é enviada para pequenos displays que cobrem seu corpo.


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