Arie Halpern: sucesso de startups depende da capacidade de cultivar a inovação

Para Arie Halpern, startups trazem inovação para o mercado

Para Arie Halpern, startups trazem inovação para o mercado

As startups vêm conquistando espaço no cenário empresarial. Elas já são mais de 4 mil  no Brasil, segundo levantamento de 2015 da ABStartups (Associação Brasileira de Startups), com índice de crescimento de 18,5% no segundo semestre daquele ano. No mundo, 100 milhões de startups são abertas a cada ano, apontam relatórios da GEM Global Report. O que esses números sinalizam para os negócios? Para o economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologia, Arie Halpern, as startups são modelos de negócios estratégicos porque são representativos da inovação e do empreendedorismo de um país. Confira suas reflexões a respeito!

As startups são um fenômeno recente no nosso modelo econômico. Como elas surgiram?

Arie Halpern: Os registros indicam que o uso do termo startups, para qualificar uma pequena empresa de tecnologia em fase inicial, apareceu pela primeira vez na “Forbes”, em uma reportagem de 1976. Entretanto, com a bolha da internet, entre 1996 e 2001, é que a expressão se firmou.

Como você qualifica uma startup?

É uma empresa pequena, uma parceria ou organização que busca fornecer ao mercado produtos específicos e inovadores que mudem a vida dos usuários de forma disruptiva. Normalmente, essas empresas lidam com temas ligados à tecnologia, como internet, e-commerce, computadores, smartphones ou robótica. Por serem pequenas, elas cuidam de forma direta de todos os passos do processo de criação de seus produtos, deste o conceito inicial, estudo de mercado até a busca por investimentos e o lançamento do produto final.

O Brasil é um bom lugar para sediar startups?

Sim, algumas cidades mais que outras. A consultoria Compass classificou a cidade de São Paulo como o 12ª melhor ecossistema para startups. Os motivos: importantes universidades, mercado para validar ideias, grande número de clientes, incubadoras, aceleradoras, fundos de investimento, qualificada etc. A cidade já chegou a abrigar muitas empresas bem-sucedidas, tais como a Dafiti, a Netshoes e a Easy Taxi, mas ainda faltam melhorias em diversos pontos para que o Brasil possa competir com cidades de referência para o setor, como Tel Aviv, Nova York e Toronto.

O que precisa melhorar?

Destacaria o processo de exportação dessas empresas, cujas barreiras dificultam a ampliação dos mercados para os produtos e serviços oferecidos. Falta, além disso, uma cultura de startups no País, com poucos empreendedores experientes para guiar os mais novos e um número ainda pequeno de pessoas dispostas a investir no modelo. Outro aspecto importante é a falta de incentivos para a criação desses projetos disruptivos.

O que é preciso para criar uma startup de sucesso?

É necessário saber colocar as ideias em prática. Aqueles que querem começar uma startup precisam entender os desejos e necessidades do mercado e explorar isso, além de saber aonde querem chegar. É importante também formar uma equipe de ponta e confiável, para que o projeto alcance um nível de maturidade suficiente antes de chegar para o consumidor. A empresa precisa analisar objetivamente o mercado, determinar se existem outros produtos parecidos sendo oferecidos, quais seus possíveis concorrentes e cuidar de sua imagem e credibilidade.

Por que muitos profissionais, principalmente os mais jovens, estão optando pelas startups ao invés de fazer carreira em grandes companhias?

Porque as startups são um lugar de inovação. Com as devidas exceções, grandes companhias podem ser muito “quadradas” e  possuem formas estabelecidas de como agir, além de muitas vezes terem medo de mudar seus produtos e, com isso, perder mercado. Nesse ponto, as startups têm uma flexibilidade muito maior, elas estão abrindo novos caminhos e explorando novas formas de se comunicar com os consumidores.


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