Arie Halpern: tecnologia paralímpica a favor dos atletas

Para Arie Halpern, tecnologia paralímpica abraça diferentes modalidades

Para Arie Halpern, tecnologia paralímpica abraça diferentes modalidades

Os Jogos Olímpicos 2016, no Rio de Janeiro, foram uma excelente vitrine para a tecnologia esportiva. E agora, com as Paralimpíadas, podemos ver a dimensão dessas inovações no campo dos esportes. Segundo o economista e empreendedor com foco em inovações e tecnologias disruptivas Arie Halpern, a tecnologia paralímpica permite que os atletas superem seus próprios obstáculos e saiam da sombra dos esportes olímpicos, conquistando um espaço maior.

Um bom exemplo são os dispositivos desenvolvidos por estudantes no Imperial College, em Londres que o nadador britânico Andrew Mullen utiliza para entrar e sair da piscina e durante suas sessões de treinamento. Um dos equipamentos auxilia o nadador no início de provas de nado de costa. Nessa modalidade, os nadadores paralímpicos precisam começar a prova de costas para a piscina, com as pernas submersas, e segurar as barras de apoio que ficam na margem da piscina para manter o tronco sobre a água. Para os atletas paralímpicos, esse é um grande desafio, pois dependendo da sua deficiência, não há como segurar adequadamente nas barras, diz Arie Halpern. Mullen, que, devido a uma doença congênita, perdeu partes das mãos, não consegue alcançar essas barras. Os estudantes britânicos desenvolveram cintas especiais baseadas nos arreios de cavalos para que ele possa pendurar o peso do corpo enquanto aguarda o início da prova.

Grandes marcas também patrocinam equipamentos para os atletas. A BMW é a fabricante das cadeiras de corrida do time paralímpico dos Estados Unidos. Feitas de fibra de carbono, as cadeiras são produzidas com tecnologia semelhante à utilizada nas bicicletas das provas de ciclismo olímpico e serão usadas nas provas paralímpicas de ciclismo de estrada e ciclismo de pista. A BMW utilizou escâneres 3D para capturar o molde dos atletas e suas cadeiras e depois analisou os dados para melhorar a performance do acessório. Com isso, foi possível diminuir o peso e aumentar a aerodinâmica das cadeiras de corrida. Cada atleta recebeu também luvas especiais que minimizam o estresse na mão ao impulsionar as rodas.

Alguns atletas, como o arqueiro americano Matt Stutzman, preferem fabricar seus próprios acessórios. O atleta paralímpico conquistou uma medalha de prata nas Paralimpíadas de Londres, em 2012, e ficou famoso por conseguir isso sem ter braços, ao contrário de seus competidores. Stutzman utiliza os pés para segurar o arco na posição correta. Para puxar a corda do arco e mantê-la estendida enquanto mira, ele desenvolveu um tipo de correia que passa pelo seu peito e costas e possui uma fivela de plástico que ele pode prender e desprender apenas com um movimento do queixo. Ao colocar a flecha no arco, Stutzman se inclina para frente, prende a fivela na corda e endireita o corpo, fazendo com que a corda estique. Quando está pronto para atirar, ele solta a fivela com o queixo e atira a flecha.

A nova modalidade paralímpica também precisa de cadeiras de rodas especiais: o rugby em cadeira de rodas. Assim como seu equivalente olímpico, o esporte é marcado por pancadas bruscas que muitas vezes derruba os jogadores de suas cadeiras. É necessário não só que as cadeiras sejam extremamente resistentes, mas também que elas não causem dano aos atletas quando caírem. Estudantes do Imperial College, em Londres, também foram os responsáveis por melhorar a dinâmica desses equipamentos. Pensando na dificuldade dos atletas em se levantar sozinhos, necessitando do auxílio de ajudantes, eles projetaram uma cadeira mais leve e ergonômica, que permite uma área maior de movimento do usuário. Também aumentaram a área frontal e traseira, protegendo o corpo dos atletas dos impactos mais pesados.


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