As teorias da inovação na revolução silenciosa das ideias disruptivas

É comum vermos a inovação como um acontecimento isolado, algo que ocorre em um momento. Geralmente, a percebemos quando um unicórnio, uma startup, decola com uma nova ideia de produto ou serviço que modifica um setor e causa disrupção. Mas a inovação é muito mais ampla do que isso.

É pouco provável haver um empreendedor cuja primeira ideia tenha sido um sucesso estrondoso. Os inovadores de sucesso estabelecem um ambiente que incentiva a transformação, seja em suas empresas ou em suas vidas pessoais. Frequentemente, eles cultivam um portfólio de ideias em diferentes estágios de inovação, o que resulta em um fluxo contínuo de inovações.

Somente um percentual muito pequeno das startups que recebem capital semente (seed funding), o financiamento que cobre os gastos na fase inicial, se tornam empresas de sucesso. Isso indica que dinheiro para suportar uma ideia aparentemente boa não é a questão.

Os modelos de inovação que costumamos adotar foram desenvolvidos nas últimas décadas, mas esquecemos que a inovação existe desde muito antes da internet. As inovações disruptivas ocorrem quando um determinado ambiente ou setor se torna estático, rígido, apegado a princípios, hábitos e normas e não oferece espaço para mudanças. De forma que não consegue endereçar com rapidez novas demandas ou tirar proveito de oportunidades.

As teorias ou estruturas de inovação frequentemente estão relacionadas às ciências exatas. Elas são muito relevantes para a inovação, mas não suficientes. Em geral, se concentram em questão práticas para solucionar alguns dos problemas que enfrentamos.

Um exemplo, é o caminho que a humanidade percorreu até realizar o desejo de voar. Os primeiros pesquisadores observaram a correlação entre a capacidade de voar e ter asas e penas, mas logo ficou claro que para alçar voo era necessários mais do que isso. O grande avanço neste processo veio quando o matemático Daniel Bernoulli apresentou o princípio que leva seu nome, que explica o conceito de sustentação. Ainda foram necessárias mais pesquisas e experiências até que o homem pudesse finalmente voar.

A inovação disruptiva aconteceu também na indústria siderúrgica, quando uma pequena siderúrgica americana investiu em tecnologia e desenvolveu chapas finas de aço, um produto mais sofisticado para o qual havia demanda não atendida, causando uma disrupção no setor. Isso prova que a inovação disruptiva acontece em setores diversos, e muito antes da internet.

Por trás destas verdadeiras revoluções, geralmente silenciosas, cujo “barulho” só percebemos quando a mudança já se estabeleceu, estão as teorias da inovação que dão suporte e são muito relevantes para os empreendedores cujas ideias decolam.

O desenvolvimento de inovações bem-sucedidas pode nunca se tornar um exercício inteiramente previsível, mas ao aplicar teorias de inovação para ajudar a desmistificar problemas complexos, os inovadores podem certamente aumentar suas chances de sucesso.