Atendimentos por telemedicina se multiplicam globalmente

O surto da Covid-19 está provocando uma verdadeira revolução, com mudanças nos hábitos, costumes e, em alguns casos, quebrando paradigmas em áreas em que discussões sobre riscos e benefícios se desenrolam há muitos anos. Um desses casos é o atendimento médico à distância ou telemedicina.

Regulamentada às pressas no Brasil em meio à crise causada pelo coronavírus, em duas semanas a telemedicina teve uma explosão em número de atendimentos. Embora uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), emitida há um ano, estabelecendo regras para o uso de tecnologia na prestação de serviços médicos, muitos conselhos regionais resistiam a adotar a prática.

A rápida evolução do contágio por Covid-19 tornou necessária toda e qualquer medida para evitar o contato pessoal – para médicos e pacientes, os deslocamentos, curtos ou longos – e a lotação dos locais de atendimento. E isso não é exclusividade do Brasil.

Na Europa, a regulação e a relutância de médicos e pacientes também limitavam o uso de tecnologia nos atendimentos médicos. No Reino Unido, as consultas por vídeo eram menos de 1% dos 340 milhões de atendimentos por ano registrados pelo serviço de saúde nacional (National Health Service). De uma semana para outra, a demanda multiplicou.

Com a liberação desse tipo de atendimento, ainda que temporária, os provedores também deram a largada. O primeiro foco dos desenvolvedores foram sistemas para auxiliar no diagnóstico e monitoramento dos sintomas da Covid-19. Mas, como neste momento, o atendimento presencial nas unidades de saúde também deve priorizar pacientes com suspeita ou já contagiados pelo coronavírus, fica evidente que a telemedicina tem uma enorme demanda para outras enfermidades.

Dois desenvolvedores de softwares brasileiros criaram uma ferramenta gratuita para que pacientes tenham atendimento médico rápido e de forma virtual. A Central Corona é uma plataforma que faz a ponte entre os pacientes e os médicos por meio de aplicativos de conversa ou de redes sociais em caso de suspeita da Covid-19. O primeiro contato é com um chatbot, que faz a triagem e avalia a necessidade de encaminhar o contato para um médico. O Cuidas Digital é um aplicativo que conecta os funcionários das empresas que contratam o serviço a médicos cadastrados.

“A praticidade das consultas remotas, especialmente para casos menos graves e atendimento de rotina muito, mesmo que persistam receios tanto entre a classe médica quanto entre pacientes, provavelmente fará com que esse seja um caminho sem volta”, prevê o especialista em tecnologias disruptivas, Ariê Halpern. De acordo com um estudo de 2018, feito pela Comissão Europeia, os serviços de telemedicina devem ultrapassar US$ 40 bilhões no mundo até o próximo ano.