Automação invade hotéis para eliminar interação

Um dos primeiros setores a sofrer os efeitos da pandemia da covid-19, a indústria do turismo está empenhada em buscar soluções e implantar as  adaptações necessárias para retomar seu espaço após o fim da quarentena.  Diversas redes hoteleiras estão promovendo profundas mudanças para se adequar à nova realidade. E, ao que tudo indica, serão permanentes.

Entre elas, estão o uso de dispositivos móveis no check-in, limitação do número de hóspedes em ambientes, instalação de estações de higienização e novos protocolos de limpeza.

Grandes redes hoteleiras, como Marriott e Hilton, por exemplo, estão estudando o uso de medidores de temperatura, luz ultravioleta e pulverizadores de desinfetante eletrostáticos para limpeza e desinfecção de áreas comuns e objetos. Até hoje oferecidos como opcionais, aplicativos para solicitar serviços usando smartphones se tornarão a regra.

Depois de anos enfatizando a importância do contato pessoal e de valorizar a capacidade de lidar com pessoas em seu quadro de pessoal, os hotéis agora correm para eliminar a interação humana em seus serviços.

Inaugurados há pouco mais de um ano, hotéis com serviços automatizados, como o Smart LYZ, em Shenzen e o FlyZoo, em Hangzhou, na China, e o KVi, em Budapeste, eram definidos como iniciativas conceituais. A ideia é que funcionassem como uma espécie de incubadoras para testar os equipamentos e tecnologias desenvolvidos para o setor hoteleiro, assim como para avaliar a reação dos hóspedes num ambiente sem — ou com mínima — interação humana.

“Ninguém poderia supor que em tão curto prazo se tornariam uma solução, um modelo a ser replicado imediatamente”, pondera Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas. 

 

Inteligência artificial no bar e na academia

Nesses hotéis, o check-in é feito por identificação facial num totem em que também são escaneados passaportes e documentos. O reconhecimento facial também é usado nos elevadores, que levam o hóspede ao seu andar, e para abrir a porta do quarto. Lá dentro, cortinas, temperatura, iluminação e serviço de quarto são feitos por sistemas de comando de voz e assistentes virtuais.

No FlyZoo, da gigante chinesa Alibaba, os pedidos no restaurante são feitos por um app e servidos por robôs, que também entregam refeições nos quartos. Um braço robótico prepara mais de 20 tipos diferentes de coquetéis no bar e na academia a inteligência artificial também é usada para orientar os exercícios. Câmeras fazem o reconhecimento facial para debitar a cobrança pelos serviços na conta do hóspede.

Ainda considerados novidade, os hotéis com serviços automatizados encantam os hóspedes e vêm se multiplicando. Porém, nenhum deles prescinde 100% da presença humana, ainda necessária em áreas como segurança e limpeza.

Mas as soluções evoluíram. Aberto em 2015, em Nagasaki, no Japão, o hotel Henn-na, para surpresa dos hóspedes, tinha mais intervenção humana do que se supunha e, em poucos anos, aposentou metade de seus mais de 200 robôs devido a problemas no funcionamento e aos altos custos de manutenção. Agora, é preciso identificar problemas e corrigi-los numa velocidade ainda maior.