Avanço da IA borra fronteiras entre mundo real e virtual

Redes adversárias generativas elevam o aprendizado de máquina a um novo patamar, combinando o trabalho de duas redes para criar sinteticamente fotografias de pessoas idênticas a humanos reais, dificultando identificar rostos reais e virtuais.

Um complexo sistema de inteligência artificial (IA), as redes adversárias generativas (ou Generative Adversarial Networks – GAN, em inglês), estão possibilitando criar sinteticamente imagens de pessoas que não existem, mas idênticas a nós humanos. “Diferentes dos avatares, aquelas representações virtuais de nós mesmos com uma imagem meio robótica, que lembra um personagem de animação, as fotografias geradas com as redes adversárias generativas impressionam pelo realismo”, afirma Arie Halpern, especialista em inovações disruptivas. E indicam que pode, sim, haver dois mundos: o real e o virtual, com “pessoas” criadas artificialmente, mas iguais a nós.

Redes neurais artificiais com algoritmos modelados com base no sistema nervoso humano são alimentados com fotos e dados de pessoais reais, informações como tom da pele, cor dos dentes, comprimento dos cabelos e tamanho dos olhos, por exemplo. O sistema estuda as características de cada uma e cria suas próprias imagens, incluindo o movimento da íris e dos lábios.

Para melhorar a qualidade, desses avatares, o cientista americano Ian Goodfellow desenvolveu um método que combina duas redes, que trabalham juntas, mas no que alguns especialistas costumam definir como uma disputa. Usando IA, uma rede gera a imagem usando seu aprendizado de máquina e a outra faz uma espécie de validação, tentando identificar traços de artificialidade para classificar a imagem como real ou falsa.

As fotos de pessoas criadas sinteticamente podem ser geradas em tempo real no site thispersondoesnotexist.com. E dois professores da Universidade de Seattle criaram o site  whichfaceisreal.com em que mostram fotografias de um rosto rela e um criado pela máquina para que as pessoas possam verificar sua capacidade de identificar qual é qual. O objetivo deles é alertar as pessoas sobre a facilidade com que se pode criar identidades digitais.

As GAN podem ser muito úteis para melhorar serviços de trocas de mensagens ou para a indústria cinematográfica e a produção de games. O aprimoramento da inteligência de máquina tornou mais eficaz o reconhecimento facial, que passou a ser usado para desbloquear um smartphone ou outros dispositivos, ou mesmo registrar presença no trabalho ou em um compromisso por meio de um aplicativo.

Mas também significam mais riscos, dificultando a diferenciação do que é real e do que é virtual. O mesmo processo usado com imagens de objetos, possibilita criar um quadro impressionista virtual com todas as características usadas nas obras de pintores, como o francês Claude Monet. Ou mesmo criar perfis e identidades falsas.