Aviões elétricos em voo de cruzeiro

Os voos com aviões elétricos, aparentemente, estão mais próximos da realidade do que poderíamos supor há não muito tempo. Segundo especialistas no setor, há cerca de 200 projetos sendo desenvolvidos no mundo atualmente. E, embora a maioria ainda esteja na fase de protótipo, já há modelos cruzando os céus.

O Pipistrel Velis Electro, fabricado pela empresa eslovena de mesmo nome, foi o primeiro avião elétrico no mundo a obter certificação da EASA, a agência de segurança de aviação da União Europeia. Com capacidade de dois lugares, ele é destinado à instrução de pilotos. Outra aeronave da empresa já havia obtido a certificação da FAA, a agência de aviação norte-americana.

Outras duas fabricantes de aeronaves, a israelense Eviation e a australiana, agora sediada em Seattle, nos Estados Unidos, Magnix, estão avançando na produção de aviões maiores. Ambas têm protótipos com capacidade para nove passageiros. Batizada Alice, a aeronave israelense tem autonomia de voo até mil quilômetros e já possui pedido em carteira da companhia aérea regional norte-americana Cape Air. E o Cessna Grand Caravan 208, da Magnix, realizou este ano um voo teste que durou meia hora.

Abastecidos por energia solar, célula de combustível, transferência de energia sem fio ou baterias, os aviões elétricos representam um grande avanço para a redução das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera. O setor aéreo é responsáveis ​​por 2,5% das emissões globais de gás carbônico, de acordo com a Organização de Aviação Civil Internacional (Oaci). Um voo de São Paulo a Nova York emite 1,3 tonelada de gás carbônico por passageiro. Os motores de propulsão elétrica não apenas eliminariam as emissões diretas de gás carbônico, mas também reduziriam os custos de combustível em até 90%, os de manutenção em até 50% e o ruído, em quase 70%.

“O setor de aviação vem avançando em ritmo acelerado para viabilizar o uso comercial de aviões elétricos. A quantidade de projetos em desenvolvimento em vários países indica que estamos muito próximos de poder realizar viagens aéreas sem comprometer o futuro do planeta”, afirma o especialista em tecnologias disruptivas, Arie Halpern.

Desafio de ampliar distâncias

As grandes empresas do setor de aviação também vêm investindo em aviões elétricos. A EmbraerX está fazendo testes com um protótipo que utiliza um motor desenvolvido pela também brasileira Weg. A Airbus tem um projeto em parceria com a Rolls-Royce e a Siemens, batizado de E-FanX”, que terá capacidade para até 100 passageiros. E a NASA trabalha no modelo Maxwell X-57.

As baterias mais avançadas gastam muito menos energia por peso do que os combustíveis tradicionais, mas são mais pesadas do que o combustível padrão e ocupam mais espaço. Assim, um dos grandes desafios que a indústria tem de superar é a limitação da distância de voo dos aviões com motores elétricos. Aproximadamente metade dos voos realizados no mundo cobrem distâncias inferiores a 800 quilômetros, um alcance que os aviões elétricos estão muito perto de atender.