Bateria flexível e à prova d’água aumenta potencial de uso para tecnologias vestíveis

As tecnologias vestíveis são uma tendência com potencial cada vez maior. Dispositivos eletrônicos são incorporados a relógios, pulseiras, anéis, calçados e roupas para monitorar nossa saúde e atividades. Com eles, podemos identificar e evitar doenças, acelerar tratamentos e dispor de outros benefícios. Para que cumpram a função com eficiência e tenham vida útil que compense os custos, as novas tecnologias trazem novas necessidades.

Uma delas está mais próxima de ser sanada depois que uma equipe de pesquisadores da Universidade de British Columbia, no Canadá, desenvolveu uma bateria flexível e à prova d’água. Sim, porque roupas e calçados podem molhar na chuva e precisam ser lavados.

Nas baterias comuns, as camadas internas e o revestimento são feitos com materiais rígidos. Os cientistas canadenses conseguiram tornar maleáveis compostos como zinco e dióxido de manganês (comuns em baterias vestíveis pela segurança para usar em contato com a pele) ao triturá-los em pequenos pedaços e incorporá-los numa espécie de plástico emborrachado feito com uma mistura de polímeros. Várias camadas ultrafinas são inseridas em um invólucro feito com o mesmo material para produzir a bateria. O composto garante a vedação à prova d’água e faz com que elas possam ser torcidas ou esticadas, atingindo o dobro de seu tamanho original.

39 ciclos de lavagem

Para verificar a vedação e a resistência, os protótipos foram lavados em máquinas de lavar residenciais e comerciais. A bateria resistiu a 39 ciclos de lavagem, dos  quais saiu intacta e funcionando perfeitamente. Os cientistas, agora, estão empenhados em ampliar a capacidade e a vida útil das baterias.

Outra vantagem da nova tecnologia é o custo. O uso de materiais com custos menores do que os tradicionalmente usados e a facilidade de produção devem acelerar o uso em escala comercial. As baterias laváveis podem ser usadas em dispositivos para monitoramento de sinais vitais inseridas em peças de roupa, mantendo o conforto. Segundo os pesquisadores, ela também pode ser usada em roupas que mudam de temperatura ou cor de acordo com as reações do organismo de quem as vestem.

“Com os avanços da tecnologia, os dispositivos vestíveis poderão em breve ser usados para facilitar ainda mais a navegação em ambientes virtuais, como o tão falado metaverso. Em vez de usar óculos ou relógio, as pessoas poderão acessar ambientes virtuais usando a própria roupa”, prevê Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.

Os detalhes sobre o desenvolvimento da bateria flexível e lavável foram publicados na revista especializada Advanced Energy Materials há poucas semanas.