Bill Gates se associa a Elon Musk em busca da inteligência artificial do futuro

A inteligência artificial, de uma forma que até agora só foi vista na ficcão científica, vai se tornar realidade num futuro breve. Isto é o que indica o anúncio da parceria entre duas das mais importantes lideranças do setor tecnológico mundial: o criador da Microsoft, Bill Gates, o segundo homem mais rico do mundo de acordo com a revista Forbes, com uma fortuna avaliada em quase US$ 100 bilhões, e o criador da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, o número 40 da lista, com cerca de US$ 22 bilhões de patrimônio.

A Microsoft acaba de anunciar que se prepara para investir US$ 1 bilhão, aproximadamente R$ 4 bilhões, em uma das empresas criadas por Elon Musk, a OpenAI, que busca especificamente pela inteligência artificial da próxima geração. A ideia é nada menos do que criar um modelo que rivalize com o cérebro humano, e não simplesmente algo que possa parecer com um computador mais rápido ou mais sofisticado do que aqueles que já existem. Este modelo, que por hora é uma espécie de “Santo Graal” da pesquisa tecnológica, é chamado de Inteligência Artificial Generalizada (IAG, na sigla em inglês). Ele seria capaz de interações tão complexas que daria conta de tarefas hoje só possíveis de conceber com a participação humana; seria uma máquina capaz de aprender e interagir.

De acordo com o comunicado que foi feito à imprensa especializada, a startup impulsionada a partir dessa joint venture terá seu sistema de dados desenvolvido sobre a Azure, a plataforma de computação em nuvem da Microsoft. A OpenAI vai passar para um novo patamar com o acordo, mas a entrada de Bill Gates na parceria não significa que ela esteja ainda em um nível elementar, pelo contrário: a empresa fundada em 2015 por Musk já demonstrou ótimos resultados, dentre eles vencer jogadores humanos em Dota2, um game bastante complexo. Mas o mais polêmico resultado alcançado foi a criação de um sistema que gera notícias falsas, as fakenews, de maneira tão realista, que – de acordo com a própria empresa – foi preciso tomar a decisão de mantê-lo sigiloso e bem guardado para evitar riscos sociais e políticos.

“O que se espera para os próximos anos, num desenvolvimento muito acelerado, é que veremos uma nova geração de inteligência artificial capaz de promover uma revolução em todas as esferas das atividades humanas”, garante o especialista em tecnologia disruptivas Arie Halpern.

Google DeepMind

 Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, no Reino Unido, a Google continua avançando na tecnologia de inteligência artificial por meio de sua empresa DeepMind, e sem dúvida é a maior concorrente da empresa de Musk e Gates. Se a OpenAI conseguiu fazer com que seu sistema tivesse sucesso em jogar o Dota2, a DeepMind exibe as credenciais de Mestre em Xadrez e em Go, além de recentemente ter se mostrado capaz de vencer jogos multiplayer. O jogo utilizado foi o Quake III Arena da ID Software, no modo “Capture a Bandeira”. Este feito foi considerado pelos especialistas como particularmente desafiador porque o sistema teve que lidar com a montagem de estratégias e, a partir delas, com mudanças bruscas de decisão de um modo que até então só os humanos seriam supostamente capazes.

A utilização de jogos para o desenvolvimento e a verificação das habilidades de novos sistemas de inteligência é recorrente entre as empresas de tecnologia desde que no final dos anos 1990 a IBM criou o DeepBlue, um supercomputador capaz de desafiar o maior jogador de todos os tempos no xadrez, Gary Kasparov. De qualquer forma, a busca agora é por habilidades que vão além dos cálculos matemáticos envolvidos numa partida de tabuleiro, mas de máquinas que sejam capazes de, assim como fazem os humanos, usar táticas criativas lidando com o acaso e com a subjetividade de outros jogadores.