Bioimpressão 3D pode ser a resposta para os problemas em cartilagens

Uma das queixas médicas mais comuns a partir da meia idade são as dores e dificuldades nas articulações, principalmente dos joelhos, mas também por vezes dos tornozelos, dos ombros e dos cotovelos. Dentre a população mais jovem, esses problemas são bastante frequentes em atletas, tanto os de alto rendimento quanto aqueles que final de semana, que se esforçam um pouco mais. Tem sido um desafio para os ortopedistas lidar com os problemas sérios de cartilagens nas articulações, que chegam a comprometer em definitivo a carreira de alguns jogadores de futebol, como bem sabem os fãs do esporte. No entanto, a tecnologia de impressão 3D em material biológico parece apresentar uma boa perspectiva para oferecer novos tratamentos eficazes.

“Essa é uma das fronteiras mais promissoras da medicina, que pode, num primeiro momento, ser usada no campo esportivo, mas, em seguida, disseminada para uma população mais ampla”, diz o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. “A impressão 3D já está provocando uma revolução em muitas áreas, e parece ser uma questão de pouco tempo para que os materiais biológicos sejam adaptados às necessidades das impressoras, e teremos, então, um salto de qualidade com próteses específicas e muito precisas feitas para cada paciente, melhorando a qualidade de vida de maneira substancial”, completa Halpern.

Uma grande novidade veio esta semana, a partir de uma pesquisa multidisciplinar da China, publicada na Science Advances. A equipe usou hidrogéis carregados com células-tronco em uma máquina de impressão 3D e relatou a construção de cartilagens íntegras, com lubrificação das camadas superficiais e fornecimento de nutrientes para as camadas mais profundas. Os cientistas testaram o tecido de cartilagem em laboratório e em modelos animais para mostrar a maturação e a organização dos tecidos

Testes em coelhos

A equipe testou os implantes fabricados nas impressoras 3D nas articulações do joelho de coelhos. O experimento facilitou a regeneração biomimética da cartilagem original e o implante mostrou integração no local do dano em 24 semanas. Após mais alguns meses de experimentos em modelos animais, a equipe prevê o início da aplicação em humanos.

Com informações: Phys; Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte; Science Advances; National Library of Medicine.

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