Bioinformática: o que é, para que serve e qual sua importância?

União de biologia e ciência da computação, a bioinformática é o uso de ferramentas de computação e de análise para coletar e interpretar dados biológicos. Surgida na metade do século passado, ela ganhou impulso a partir do Projeto Genoma Humano, com a enorme quantidade de dados gerados no sequenciamento de DNA.

Mais recentemente, a bioinformática foi essencial para o desenvolvimento das novas vacinas contra o SARs-CoV-2. Por meio dela, cientistas em todo o mundo conseguiram analisar em tempo recorde a evolução do vírus e o desenvolvimento de novas variantes, o que possibilitou o desenvolvimento de testes moleculares, para detectar a presença do vírus, e das vacinas de mRNA.

Ao reunir conhecimentos de várias disciplinas, como biologia, ciência da computação, matemática e estatística, a bioinformática vem possibilitando grande evolução em diversas áreas da medicina. Ao analisar o sequenciamento do genoma de cada paciente e determinar o seu perfil genético, ela serve como base para a escolha do tratamento mais adequado a cada indivíduo, evitando o uso de terapias com baixa eficácia ou com efeitos colaterais excessivos.

Ela abriu caminho também para que fosse possível identificar o risco de sofrer de determinadas doenças a partir da análise das informações genéticas e, assim, possibilitar tratamentos preventivos.

Melhoramento genético de plantas e animais

“A importância da bioinformática não está restrita à medicina, e, mesmo que estivesse, sua contribuição já seria imensa para a humanidade”, diz Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas. “Esse ramo da ciência vem desempenhando papel relevante no agronegócio.”

Aliadas a técnicas de biologia molecular, é responsável por uma substancial evolução nas técnicas de melhoramento genético de plantas e animais. A adaptação deles às condições de clima e solo é um dos fatores por trás do salto de produtividade na agricultura e na pecuária. Com o uso da bioinformática, muitas culturas se tornaram mais resistentes a fenômenos climáticos, como a seca, e a ameaças, como insetos e doenças. Ou, ainda, para o aumento de determinados nutrientes em alguns alimentos, o que contribui para a saúde humana. E, ao que tudo indica, ainda tem um vasto potencial para trazer ainda mais melhorias a todos nós.