Biomimética vai revolucionar o design industrial nos próximos anos

Em 3,8 bilhões de anos, a vida no planeta Terra passou de um ajuntamento de seres unicelulares bastante simples para uma explosão de diversidade. A evolução biológica é o maior e mais complexo laboratório de experimentos que se pode observar, tendo dado origem a milhões de plantas e animais que se adaptaram para sobreviver. Nesse processo, desenvolveram habilidades tão diferentes umas das outras como voar por cima de oceanos, o que fazem certas espécies de aves migratórias; emitir sons em ultrafrequência e captar o sinal de radar, como fazem os morcegos; permanecer por dezenas de anos em estado de hibernação para tornar a despertar, características de alguns insetos. Ou então, criar uma capacidade cognitiva ímpar e associar-se em busca de alimento e proteção, como fizeram nossos ancestrais humanos.

E justamente nessa diversidade os engenheiros e designers estão se inspirando para criar os equipamentos e produtos do futuro. O nome dessa técnica de observação e de replicação do mundo natural é “biomimética”, ou seja, o mimetismo das formas desenvolvidas pela vida animal e vegetal. Sua ambição é a criação de materiais que possam responder dinamicamente às forças aplicadas a eles (design-for-function), constituir-se de forma hierárquica e otimizada (auto-montagem) ou executar mais funções quando necessário (multifuncionalidade). Assim, é possível sonhar no futuro, por exemplo, com estruturas de prédios ou veículos que se auto-reconstituem, como os tecidos de seres vivos quando machucados, dentre outras inúmeras possibilidades.

De acordo com uma pesquisa desenvolvida pela consultoria Market Research Insights, essa fronteira do desenvolvimento vai ser expandida até 2024 em ramos tão diferentes quanto arquitetura, saúde, automação, informática e nanotecnologia robótica. “Os laboratórios do mundo todo buscam a funcionalidade de desenhos inspirados na natureza, que podem ter aplicações revolucionárias, com a vantagem que de certa forma já vêm em parte testados por bilhões de anos de evolução”, comenta o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern.

Um pássaro? Um avião?

Uma equipe da Universidade Politécnica do Noroeste da China vem desenvolvendo há cerca de dois anos um robô submarino na forma de uma raia manta que imita o movimento do animal, batendo as nadadeiras. O robô está sendo aperfeiçoado para mergulhos de até 1 km de lâmina d’água, e deverá trabalhar continuamente por um mês segundo a expectativa dos desenvolvedores. Ele será usado para operações de busca, observação do ambiente oceânico e investigações científicas submarinas.

Enquanto isso, a Airbus, principal indústria aeroespacial europeia, acaba de anunciar numa feira areonáutica no Reino Unido um avião de passageiros inspirado no formato de uma ave de rapina, como um falcão ou águia. O modelo ainda se encontra na fase de testes teóricos e não tem um protótipo. Ele apresenta cauda e asa divididas com estruturas individuais, como penas, que poderiam ser manipuladas individualmente, oferecendo um controle sofisticado do voo. Com isso, o avião de propulsão elétrica híbrida turbo-hélice poderia fornecer uma redução de 30% a 50% da queima do combustível.

https://twitter.com/i/status/1152206442356707334