Biotecnologia cria enzimas específicas contra poluição por medicamentos

Biotecnólogos têm conseguido avanços importantes para detectar e produzir  enzimas que interagem com os agentes farmacológicos, quebrando assim as moléculas que os compõem. O objetivo dessas pesquisas é combater a poluição das águas por medicamentos, potencialmente perigosa à saúde humana e à fauna, e também das mais resistentes aos tratamentos convencionais. A empresa tecnológica sueca Pharem Biotech é uma pioneira no trabalho com esse nível de despoluição. A empresa começa seu trabalho identificando quais produtos devem ser removidos para uma abordagem personalizada. A partir disso, examina bibliotecas de enzimas registradas para descobrir quais delas podem decompor o produto químico e, em seguida, modifica os melhores candidatos para torná-los até 200 vezes mais eficazes. A maior parte dos procedimentos para lidar com os fármacos nas águas inclui, além de elementos químicos e biológicos, processos de filtragem ultrafina, em membranas produzidas em laboratórios de nanotecnologia.

Um dos elementos que continuam ativos na água servida é o hormônio que compõe as pílulas anticoncepcionais. Seu efeito na saúde reprodutiva humana, masculina e feminina, ainda está sendo estudado, mas pesquisas canadenses indicaram com bastante segurança que ele é prejudicial à população de peixes. Outra preocupação é quanto aos antibióticos, que podem provocar – via  processo de seleção natural – a proliferação de microorganismos mais resistentes a tratamento. Um estudo patrocinado pela União Europeia obteve sucesso no desenvolvimento de ensaios que neutralizam quatro antibióticos muito usados em tratamentos humanos. Eles são a tetraciclina, eritromicina, eritromicina, sulfametoxazol e ciprofloxacina. Testes laboratoriais também indicaram um nível aceitável de purificação contra desreguladores endócrinos. Essa classe de drogas pode interferir nos sistemas endócrinos de humanos e animais, levando potencialmente a doenças como câncer, defeitos congênitos e outros problemas de saúde.

“Quanto mais os medicamentos ou outros elementos que utilizamos no nosso dia a dia vão ficando sofisticados, mais pesquisa é necessária para lidar com eles”, diz o especialista em tecnologia Arie Halpern. Para ele, o problema passa para um novo patamar, de um tratamento básico, para interações químicas cada vez mais complicadas: “Essa é uma questão nas grandes cidades, e não existe uma solução única, já que os componentes encontrados são variáveis, e, portanto, é necessária uma abordagem diferenciada em cada caso”, completa Halpern.

Purificação fina

Um dos principais desafios ambientais das aglomerações urbanas, com reflexos diretos na qualidade de vida, é o tratamento das águas servidas, o que, ao mesmo tempo, preserva as fontes para consumo humano. O tratamento básico, que consiste em eliminar a poluição sólida, os elementos químicos e agentes patógenos, já é uma técnica há muito tempo conhecida, amplamente difundida nos países desenvolvidos. No Brasil, houve avanços nas últimas décadas, mas mais lentos do que o necessário: aproximadamente a metade da população do País conta com coleta de esgoto residencial, e, desse montante coletado, a metade é tratada. No entanto, mesmo superada a fase de universalizar a coleta e o tratamento, ainda há um passo fundamental a ser dado, a identificação e eliminação de fármacos, o que está sendo buscado por pesquisadores do mundo todo.

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