Blockchain, a tecnologia por trás das Cripto Cidades

Desenvolvido para registrar e transmitir transações digitais com a moeda digital Bitcoin, de forma segura e à prova de alterações ou fraudes, a tecnologia blockchain já ultrapassou a fronteira das criptomoedas. Compra e venda de ativos, votação eletrônica e compartilhamento de informações médicas são algumas das aplicações nas quais está sendo usado. “O blockchain é uma tecnologia muito promissora, pela confiabilidade e por impedir que os registros sejam modificados, oferecendo um amplo potencial para uso em diferentes aplicações”, explica Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.

Agora, três projetos disruptivos têm a tecnologia blockchain como base para a criação de cidades sem governo local e com moeda própria. São as chamadas Cripto Cities. Todas preveem o uso de outras tecnologias emergentes, energia limpa e renovável, sistemas inteligentes e princípios de sustentabilidade e eficiência.

Starbase, Painted Rock e Akon

Anunciada pelo Twitter, como os demais projetos, a cidade Starbase é um projeto do bilionário Elon Musk. Ele prevê incorporar o município de Boca Chica, no Texas, para instalar a cidade na qual o sistema financeiro será baseado em criptomoedas, mais especificamente a dogecoin. A moeda criada por Musk com base num meme de internet com uma foto de um cão da raça Shiba Inu está, hoje, entre as mais valorizadas.

No estado de Nevada, o projeto do bilionário das criptomoedas Jeffrey Berns foi batizado de Painted Rock (Pedra Pintada). Nela, todos os prestadores de serviços, como empresas, escolas e lojas, serão usados por meio de aplicativos com tecnologia blockchain. A intenção de Berns é que as transações sejam todas feitas diretamente, sem a necessidade de “intermediários, como bancos”. De acordo com o projeto, serão mais de 36 mil residentes, 15 mil casas e 1 milhão de metros quadrados de área comercial.

Criar uma Cripto City também é o projeto anunciado pela estrela do R&B Akon. A cidade, cuja moeda corrente será o Akoin, será instalada no Senegal, numa área localizada a duas horas de distância da capital Dakar. E terá o nome de seu idealizador. O músico anunciou já ter levantado um terço dos US$ 6 bilhões estimados para tirar o projeto do papel.  O cantor define o projeto como uma versão real de Wakanda, o reino africano fictício onde se passa a história do filme Pantera Negra, da Marvel.

Anunciados com grande repercussão e entusiasmo pelas inovações que prometem trazer, seja para seus habitantes ou para moradores de outras cidades que podem se beneficiar das soluções propostas, os três projetos suscitam críticas e alguma desconfiança, inclusive, porque ainda há poucos detalhes de como sairão do papel.

Uma das críticas ao projeto da Starbase é que Musk estaria planejando uma espécie de cidade operária, a exemplo das criadas no século passado, para suprir mão de obra para seus empreendimentos na região. No caso do cantor Akon, há críticas de que os prédios de vidro e metal reproduzindo esculturas africanas não seriam adequados ao calor africano e ao fato de ele anunciar que contrataria profissionais locais para erguer a cidade, mas ter contratado uma empresa norte- americana e uma dos Emirados Árabes para desenvolver o projeto.