Brasil discute antecipar obrigatoriedade de BIM em obras públicas

Sob o ponto de vista técnico, esta é uma discussão que já deixou de ser importante há muito tempo no setor da construção civil: é mais do que claro que os projetos realizados em Building Information Modeling (BIM) são muito mais práticos e versáteis do que ferramentas tradicionais de projeto, e, por isso mesmo, dominaram a ponta mais avançada do mercado.

A questão em debate a respeito do BIM hoje está, então, relacionada ao marco legal, fase que pode ser superada com mais antecedência do que havia sido proposto anteriormente. Pelo menos é isso que espera a Associação Brasileira de Engenharia de Sistemas Prediais (Abrasip), que colocou o tema em questão no SeBim – Segundo Seminário BIM, realizado no último mês em Belo Horizonte. Atualmente, há uma previsão de obrigatoriedade da adoção de modelo BIM para obras públicas apenas a partir de 2026, mas o setor de construções prediais entende que esta etapa pode ser antecipada, com vantagens importantes do ponto de vista de previsibilidade e custos. Na ocasião, representantes da  Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) confirmaram para a imprensa que estão estudando antecipar para 2022 uma portaria que regulamente esse uso obrigatório.

Com a tecnologia BIM é possível criar modelos virtuais de construção muito precisos, o que dá uma série de possibilidades para os projetistas antes do início da obra. Talvez ainda mais importante é que eles não se limitam à concepção de engenharia e arquitetura, mas oferecem suporte ao longo de todas as fases da construção. Isso acaba permitindo melhor análise e um controle muito efetivo de aspectos que se iniciam na fabricação de materiais, passam pela aquisição até a colocação em uso na obra e terminam com a entrega do projeto executado. Tudo isso pode reduzir o custo final a construção de habitações de padrão popular, por exemplo, em até 20%.

O problema, então, a partir dessas constatações, é avançar no uso desses modelos, que não são necessariamente intensivos em nova tecnologia, mas que podem dar muito trabalho na programação, e, por esse motivo, construtoras menores ou projetistas individuais ainda não se adaptaram totalmente. Para diminuir essa defasagem, a própria ABDI disponibiliza uma Biblioteca BIM na qual é possível baixar partes importantes de programações utilizáveis em projetos, dando meio caminho andado a esse público específico.

De qualquer maneira, se a decisão do governo for realmente de antecipar a utilização obrigatória do modelo, o setor da construção civil no Brasil só tem a ganhar com isso, avançando em transparência, previsibilidade, eficiência de recursos, economia, e até mesmo na questão ambiental, já que o projeto bem planejado reduz o desperdício e, assim, poupa recursos naturais, que, em alguns materiais muito usados na construção civil, como aço ou cimento, são especialmente intensivos em emissão de gases de efeito estufa.

O que deve ser feito em todos os casos, e há indicações de que o governo vem se preocupando com isso, em conjunto com as associações representativas do setor, é justamente implementar ferramentas para contemplar o projetista e o empreiteiro de pequenas obras, espalhadas pelo interior. Afinal, quando pensamos em obras públicas nos vêm à mente os projetos gigantescos do poder público federal; mas sempre é preciso lembrar da diversidade de condições e mesmo de necessidades que há num País com as características continentais do Brasil, e com sua realidade social e política com tantas disparidades. De qualquer forma, se tomados certos cuidados, como já é claro o sinal dado pela disponibilização da biblioteca de modelagem por uma iniciativa governamental, somado a outras formas de apoio em conscientização e educação para o uso dessa ferramenta de forma disseminada, o prazo de 2022 parece bastante factível e realista. Principalmente levando-se em conta as vantagens de se sedimentar uma ferramenta de uso tão eficiente para o avanço de construção civil com uma nova cara, mais tecnológica, como é o BIM.

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