Captura da energia dispersa no ambiente substitui baterias em dispositivos eletrônicos

Estamos no limiar de um mundo hiperconectado e com ininterrupta troca de informações entre os diversos dispositivos ao nosso redor. A base total de aparelhos conectados à Internet das Coisas (IoT) é projetada para chegar a 75,44 bilhões em todo o mundo até 2025, de acordo com a agência alemã de pesquisa e análise de mercado Statista. Mas ainda temos alguns desafios a resolver até chegar a esse cenário.

Um dos maiores gargalos é o aumento da vida útil de bilhões de baterias e o desenvolvimento de alternativas para armazenar a energia necessária para alimentar todos os dispositivos e sensores. Uma das soluções que apresenta grande potencial é a captação da energia que está no ar.

O processo para capturar a energia do ambiente e convertê-lo em eletricidade é chamado captura ou colheita de energia (do inglês Energy Harvesting). Esta tecnologia aproveita pequenas quantidades de energia presentes no ambiente, que geralmente é dissipada ou desperdiçada na forma de calor, vibração ou luz, entre outras possibilidades. Depois de capturada no ar, a energia pode ser reciclada e usada para carregar uma bateria ou outro dispositivo. Esta tecnologia já está em uso em algumas aplicações.

Uma startup brasileira desenvolveu um sistema que captura a energia que fica dissipada no ar na forma de sinais eletromagnéticos emitidos por antenas de rádio, TV e telefonia celular. A IBBX desenvolveu uma tecnologia inovadora capaz de capturar e transmitir energia e dados sem fio a longas distâncias, que pode ser adaptada para diversas aplicações.

No laboratório da IBBX, no interior de São Paulo, baterias externas para celulares, controles remotos e câmeras são alimentados pela energia capturada. Ela ainda não é suficiente para carregar um notebook, mas consegue fazer uma enorme diferença ao alimentar pequenos equipamentos eletrônicos. Energia ao redor alimenta fones de ouvido sem fio e controles remotos

Aumentar a vida útil dos onipresentes fones de ouvido, por exemplo, pode representar um significativo avanço. Atualmente, mais de 150 milhões de pares são vendidos por ano no mundo. E a previsão é que nos próximos três anos esse número chegue a 750 milhões. Como são pequenos e precisam conter um chip, processador Bluetooth, antena, bateria, controles e microfone, seus componentes são minúsculos. Por isso, a bateria recarregável que usam não pode ser trocada.

Com vida útil de aproximadamente três anos, esses aparelhos são responsáveis por uma parte considerável do lixo eletrônico que produzimos. Com a tecnologia de captura, poderiam funcionar na maior parte do tempo com a energia captada no ar.

Na edição deste ano da CES, a megafeira de eletrônicos realizada nos Estados Unidos, a Samsung lançou uma nova versão do controle remoto de TV, o Eco Remote, que pode ser alimentado pela energia captada das ondas de rádio dos roteadores, assim como por fonte solar, como a versão anterior. De acordo com a fabricante, a intenção é descartar o uso de pilhas em controles remotos.

A empresa explora alternativas de autocarregamento, como o aproveitamento da energia cinética produzida quando o controle remoto é sacudido ou a energia vibracional gerada a partir da captação de sons pelo microfone.

Segundo Arie Halpern, especialista em energias disruptivas, “as tecnologias de captura de energia representam um grande potencial para a expansão da IoT. Com um número cada vez maior de  dispositivos e a necessidade de utilizá-los em locais remotos ou com reduzida disponibilidade de energia, essa tecnologia oferece uma solução extremamente eficiente. Além disso, é mais sustentável do que as baterias convencionais”.