Cardiopad: tecnologia permite que pacientes em áreas remotas façam exames cardíacos à distância

As doenças cardiovasculares matam cerca de 17 milhões de pessoas por ano em todo o mundo. Recentemente, a Fundação do Coração de Camarões observou um pico acentuado nas doenças cardíacas entre a população de 20 milhões de pessoas, que é atendida por menos de quarenta especialistas em cardiologia. As dificuldades para os que vivem na área rural são imensas: os pacientes muitas vezes têm que gastar enormes quantias de dinheiro e viajar centenas de quilômetros para chegar se consultar com especialistas, concentrados nos principais centros urbanos.

Para resolver a questão, Arthur Zang, engenheiro camaronês de 24 anos, projetou o Cardiopad, um tablet que coleta sinais gerados pela contração rítmica e expansão do coração de um paciente. Com uma bateria que pode durar cerca de sete horas, o Cardiopad elimina a necessidade de eletricidade durante a consulta. O primeiro tablet médico com tela touchscreen criado na África produz uma representação gráfica em movimento do ciclo cardíaco, que é transmitido sem fios através de redes GSM a um cardiologista para interpretação e diagnóstico.

“Eu projetei o Cardiopad para resolver um problema premente. Se um exame cardíaco for prescrito para um paciente em Garoua, no norte do país, eles são obrigados a percorrer uma distância de mais de 900 quilômetros até Yaoundé ou Douala”, disse Zang ao The Guardian.

No Laquintinie, um dos maiores hospitais do país, o cardiologista Daniel Lemogoum disse que, em uma pesquisa recente, três em cada cinco pessoas que usam o Cardiopad foram diagnosticadas como hipertensas ou em risco de doenças cardíacas. “Essas são pessoas que não necessariamente sabiam que são hipertensas. Isso significa que mortes súbitas podem ser prevenidas”.

A invenção do tablet garantiu a Zang o prêmio de Inovação em Engenharia, entregue pela Academia Real de Engenharia do Reino Unido.

Para Arie Halpern, economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologias disruptivas, a criação do Cardiopad pode influenciar nações com dificuldades como Camarões a incentivar pesquisas e inovações para seus habitantes. “A conquista de Zang é muito importante por servir como exemplo a outros países. O incentivo a buscar inovações que ajudem na melhora da qualidade de vida de seus cidadãos é essencial para que a sociedade cresça e valorize ainda mais a mão-de-obra regional”.


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