Carne de laboratório: a segunda disruptura no consumo de proteína animal

Nos dias de hoje, todos conhecem pessoas vegetarianas ou veganas. Segundo estatísticas do instituto de pesquisa GlobalData, 70% da população mundial declarou que está consumindo menos ou até nenhuma proteína animal. Os motivos para a mudança no hábito de comer carne são diversos – e até mesmo os carnívoros concordam com alguns deles. Mas agora, uma das principais causas para deixar de comer carne, o sofrimento animal, pode virar coisa do passado graças a uma nova descoberta da ciência: a carne de laboratório.

Pesquisadores holandeses da Universidade Maastricht foram responsáveis por desenvolver a primeira carne cultivada em laboratório de que se tem notícia. O processo consiste em coletar células animais e banhá-las em uma substância conhecida como soro fetal – produzido a partir de fetos de bezerros. Esse líquido estimula a multiplicação rápida das células, que se aglomeram naturalmente, formando uma pequena fibra parecida com a da carne. Repetindo o processo diversas vezes, você obtém uma peça semelhante a um bife. O único problema do experimento era seu alto custo: cada porção de carne, relativa a um hambúrguer, custava mais de US$ 330,00.

Quem aprimorou esse processo de criar carne em laboratório foi a  Memphis Meats, startup de San Francisco responsável pela criação de bolinhos de carne, frango e até pato a partir do mesmo processo de cultivo dos pesquisadores holandeses. A diferença é que a startup conseguiu reduzir drasticamente o custo da operação, obtendo um produto final mais em conta, porém ainda caro para ocupar prateleiras de mercado. .

Atualmente, a Memphis Meats vende seu produto para grandes lojas de varejo e restaurantes especializados  ao custo de US$ 18,00  por porção (100g em média), mas espera reduzir ainda mais os valores nos próximos anos para começar a oferecer seus produtos a preços competitivos em grandes supermercados até 2021.

Para Arie Halpern, economista e especialista em tecnologias disruptivas, o processo de cultivo da carne em laboratório significa uma segunda disruptura no consumo de carne. “A primeira disruptura se deu a partir da industrialização das fazendas e frigoríficos, que mudou completamente a maneira com que nos relacionamos com a comida, democratizando o consumo de proteínas animais. Esse processo teve impactos que vem sendo revertidos com uma série de melhorias tecnológicas na área da agropecuária, com atenção ao bem-estar animal, uso de isotônicos para animais, robôs fazendeiros e outras milhares de iniciativa. A segunda disruptura, a carne de laboratório, ainda precisa percorrer um longo caminho, que é a diminuição do preço para popularizar seu consumo – o que ainda parece um pouco distante da realidade”, conclui Arie.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *